A GUIRLANDA DE FLORES NA MINHA CABEÇA

1
10min de leitura

{1 de abril de 2026}

Não poderia ser mais bonito e bem vindo.

Ontem rezei com muita intensidade, não entendo se minha vida está dando certo ou não.

Eu saio de uma sala.

Há um corredor. É um espaço público, não uma residência, mas não configura nada, como clube, como outra coisa. Eu saio dessa sala, eu deixo para trás essa sala, que seria assim uma sala de bom tamanho, tipo duas salas de aula de escola, que tinha cadeiras para pessoas sentarem , que estava relativamente cheia, mas eu deixo essa sala, saio para o corredor de concreto cinza e entro na porta seguinte do corredor, que seria outra sala, mas essa um auditório com palco.

Mesmo não sendo o palco da Hebraica, a planta seria bem parecida, com a diferença de que não há inclinação do piso em relação ao palco.

Entro nessa sala já integrada no seguinte: foi organizada ali, organizada por um grupo de organizadores que fica indistinto, uma apresentação no palco onde cada uma das pessoas que está nessa sala vai cantar uma música.

No que eu entro nessa sala vou direto a onde está meu grupo de amigos, ali perto da parede da direita, em relação a se estando de frente para o palco. O principal amigo do meu grupo e o único que fica nítido é um rapaz muito jovem, mulato, muito alto, que parece o Carlinhos Brown. Todo mundo tem que colocar alguma espécie de adorno, não exatamente uma fantasia necessariamente, mas a pessoa teria que se produzir um pouco para cantar e aquilo, a caracterização, fazia parte da proposta toda.

Meu amigo já está colocando vários adornos e ali na parede perto da qual estamos tem um espelho. No chão também tem umas arcas, uns baús, como se fossem baús de figurinos para escolhermos.

No que eu chego ali, tenho um pensamento meio complicado de definir sem reduzi-lo. Foi algo bonito e forte. Quase como se estivesse acordada, tenho uma sensação nítida e completa de que meus Guias nunca jamais tinham me abandonado e nunca jamais deixariam de me conduzir para o que eu mais desejava, que era cantar.

Tem coisas nos meus sonhos que ainda não sei se devem ser entendidas literalmente ou são simbólicas A praia. Cantar. Sim, amo essas duas coisas, mas será que devem ser entendidas como eu largando tudo, indo para Camburiú e virando cantora num dos barzinhos?

Juro que ainda não tenho certeza.

Mas sinto nesse momento uma certeza funda e uma gratidão enorme, pois toda essa dúvida desaparece. O que eu mais desejava estava garantido de ser me provido. Ali estava de bandeja, a oportunidade de cantar.

Foco em me arrumar. Meu amigo, que parece mesmo o Carlinhos Brown, está se arrumando de forma meio étnica, então eu, até percebendo que faço isso quase que por osmose, coloco um cacho de banana na cabeça, que fica como um cocar, como se fosse um cocar de índio feito de bananas e não de penas.

Me olho no espelho e graças a Deus, aquela espécie de transe rompe por si só.

Nem é que eu me olho e me acho horrível. Na verdade cantar era tão mais importante para mim que eu estava pensando só nisso, que música iria cantar mesmo percebendo que na minha cabeça já estava cantando um trecho do Love me Tender do Elvis Presley, aliás, de um jeito tão inconsciente que tive que ficar pensando, mas que música é essa, ah, é o Love me Tender.

E eu nem treino essa música e nem sei a letra direito.

– Putz, mas vou cantar lá uma música que nem é uma das que eu treino e sei a letra? Eu que nem sei letra das músicas que eu sei a letra?

Fico pensando nas músicas mais treinadas que eu poderia racionalmente escolher para cantar e me vem uma da Annie Lennox que não sei qual seria. Talvez seja uma que nem existe.

Tudo isso com as bananas na cabeça e mesmo sem ter chegado a nenhuma conclusão, me dá graças a Deus um sacode. Tiro o cocar de bananas e entrego para o Carlinhos Brown.

– Olha, isso fica melhor em você.

Agora escrevendo, talvez ele tivesse me dado o cocar, no intuito de me ajudar. Por que tinha que se produzir meio que rápido e já ir para o palco, não podia levar o dia todo e inclusive, ele coloca o cocar de bananas, que nele fica perfeito e vai para o palco.

Fico sozinha ali e então deixo de lado a questão irresolvida de que música cantar e foco em me produzir o melhor que posso, pois isso importa também.

Há uma garota indistinta ali que não chega a ser do meu grupo, mas na mala aberta com as coisas dela ali na minha frente vejo duas rosas de papel, muito bonitas. Lembro da vez que na festa da Pat eu me fantasiei de nInfa e também houve um momento em que quase escolhi uma fantasia que não gostava muito e me deu um revertério e decidi ir do jeito que mais gostasse e isso seria me cobrir de flor, nem cheguei a pensar em ninfa exatamente, apenas nas flores.

Essas rosas tem um cabo de arame flexível e penso em fazer algo parecido e no próprio sonho eu lembro dessa fantasia. Peço para a menina se posso pegar e ela consente.

Pego as rosas, que diferentemente das que usei na fantasia de ninfa, são botões fechados e menores, mas num papel ou tecido delicado, com tons de alvorada. No que olho na mala dela, vejo somente dois botões de rosa.

– Bem, são poucos mas são rosas, vou me virar com o que tenho.

Mas como costuma ser nos sonhos e na vida, quando a gente toma a decisão ou atitude correta, mesmo achando pouco, a coisa expande.

De repente tenho ali comigo várias, várias rosas de cabo aramado, que me inclino sobre uma bancada na tentativa de dar forma de guirlanda.

Aqui acontece algo bem simbólico, me parece. Na fantasia de ninfa eu não usei nada na cabeça. Fiz uma espécie de guirlanda ao redor do meu corpo. Mas aqui logo de cara, sem que fosse uma imposição do evento, vou direto pensando em guirlanda para a cabeça. Em um arranjo para a cabeça. Quero fazer uma guirlanda de rosas para colocar ao redor da minha cabeça, mas…

Os arames são muito duros. Pouco maleáveis. Estou ali forçando e forçando e mal consigo entortar um pouco que seja, ainda mais o suficiente para virar uma guirlanda que ajuste na minha cabeça.

E ontem o assunto foi justamente esse. Tenho forçado e forçado minhas coisas a virarem uma loja. Não vira.

Aí por causa do vídeo do Jung sobre “Não force nada” que aliás não era a primeira vez que escutava, já tinha escutado outra versão dessa mesma coisa, espontaneamente pensei o mesmo.

Não vou forçar nada. Minha vida está rica. Minha vida está fluindo, não está estagnada. Eu produzo bastante. Eu gosto do que faço e quero continuar. Mas não estou conseguindo fazer disso um negócio, por mais que venha forçando. Aí quase que como uma resposta, vi no insta antes de dormir aquela xará minha que fez do blog dela seu negócio naturalmente. Bem.

Mas então eu meio que deixo de lado essa tentativa de curvar aqueles arames duros e aqui fica entremeado com duas questões.

Primeiro uma que já estava presente mas esqueci de mencionar.

O fato de que, ao sair da sala anterior, tinha trazido comigo meu segundo celular e não o primeiro. Eu teria dois celulares. Um deles era esse meu da vida acordada, onde tem tuuuuuudo, e o segundo um na verdade melhor, com cara de iphone, só que novo, ao qual eu anda não estava acostumada.

Na verdade percebo que estou com ele quando, ainda com as bananas na cabeça, penso em, já que estou meio que cravada no Love me Tender, pelo menos procurar a letra da música no celular para dar uma colada na hora de cantar, e garantir que pelo menos isso eu não erraria.

Aí vejo que estou com o celular dois, o novo.

– Droga, eu nem sei se sei mexer nele direito, era melhor o outro. Mas agora não tem como eu voltar na outra sala e catar o outro.

E em algum momento que não saberia dizer qual, percebo que deixei outra coisa na sala anterior que preferia que tivesse trazido comigo: minha bolsa preta da Temu.

Se tem um símbolo cujo significado está claro, sendo que são minoria, perto dos símbolos os quais ainda tenho bastante dúvida, e os símbolos que ainda não faço idéia do que significam, mesmo tendo sonhado com eles over and over again, bolsa significa dinheiro.

Perder bolsa, tensão financeira. Achar bolsa, estar com bolsa, fique tranquila, dinheiro garantido.

Aqui no caso nem uma coisa nem outra.

As pessoas do grupo na sala anterior eram basicamente ou na sua maior parte, familares. Minha bolsa não estava em risco, estava até que mais protegida na sala anterior, na qual eu conhecia quase que todo mundo, do que nessa, que estava cheia de desconhecidos pouco confiáveis, como se verá a seguir.

Pois no que desencano de tentar dar forma a ferros que são hastes rígidas, pego algumas das flores ali desse ramo que tem arames mais flexíveis e ajusto como guirlanda na minha cabeça.

E nisso dois travestis tinham se aproximado para se aprontar também, pois aqueles adornos todos eram de certa forma coletivos, mas as flores já estavan meio que tomadas por mim, evidentemente. Os travestis já estão com adornos e completando sua produção, o interesse deles seria mais as cadeiras de plástico onde sentar e onde colocar suas coisas, pois também estavam bastante escarceando ali, e o espelho na parede. Os dois travestis são amigos e estão conversando entre si, eu estou olhando no espelho o primeiro arranjo de flores com o qual foi possível fazer uma guirlanda, pois as hastes são curváveis, tendo eu, como que num eco do que experimentei durante o dia, largado mão de curvar o que não se curva, e tendo deixado algumas flores ali sobre a cadeira, olho o arranjo na minha cabeça, os dois travestis conversando atrás de mim, e um dele sse apossou de uma cadeira vazia ali ao lado e está se arrumando, aparentemente muito na dele e no que me viro de novo para a cadeira atrás de mim onde deixei minha flores, no intuito de fazer a mais bonita guirlanda possível,.. a quantidade de flores sobre a cadeira me parece menor. Um dos travestis se afastou, enquanto o outro continua ali na cadeira ao lado, se arrumando, como eu disse, aparentemente bem na dele.

– Será que ele furtou minhas flores? penso.

Mas não tenho tempo de pensar nisso. Quase todo mundo já foi para o palco, eu tenho que ir.

Aqui fica mais e mais simbólico.

Eu pego da minha cadeira, acho que ainda não está na minha cabeça, um ramo de flores de lavanda. Lavanda, como essas que uso no meu avatar no whatsapp pois quando era criança, criança mesmo, ficava olhando essa imagem da garota colhedora de lavanda no frasco de colônia Flores de Lavanda, que aliás tenho um no meu banheiro por causa disso, e queria ser ela. Queria ser a Alice no País das Maravilhas, mas acho que queria mais ainda ser a moça do frasco de colônia Flores de Lavanda da Phebo.

É um ramo não muito longo, mas bem cheio, com bastante lavandas, e altamente flexível e mais, de cara, sem esforço nenhum, fica parado na minha cabeça firme.

Imagina cantar com uma guirlanda caindo da cabeça.

Me olho no espelho e numa atitude bem minha mesmo, que reconheço como uma das coisas que vim retificar aqui nesse mundo, fico meio achando que tá meio... podia ser melhor.

– Mas só essas lavandas? Não fica meio sem graça? Lavandas não são rosas. A rosas são flores mais espetaculares, a top das flores.

Então me viro para tentar ainda enfiar umas rosas ali na guirlanda, para dar uma incrementada e…

Os ramos de flores sobre minha cadeira, dessa vez tenho certeza, diminuiram de quantidade. A cadeira não está vazia, mas as rosas ou flores que ainda não tinha experimentado sumiram, sobraram só as rosas de cabo duro que já vi que não dão não viram guirlanda de jeito nenhum.

Olho imediatamente para o travesti. Ele está bem imerso nos seu pensamentos e parece quase em outro mundo… ou quem sabe disfarça muito bem.

– É bem possível que ele tenha catado as flores e no que viu que eu ia me virar, se virou antes e está disfarçando. Esses caras são ladinos.

Me viro para o espelho. Tenho na cabeça uma semi guirlanda de flores de lavanda, uma guirlanda cheia, com lavandas viçosas e bonitas. Digo semi guirlanda porquê ela não dá a volta toda, fica como que aquelas coisas que os romanos colocavam na cabeça, tem um nome isso. Coroa de Louros.

Ao Vencedor, a Coroa da Vida.

Minhas expectativas queriam que fosse uma coroa de Rosas

–Restou só essa guirlanda de lavandas. Agora tenho que ir com isso mesmo, não tenho outra opção.

.O que deu certo na minha cabeça foi a Coroa de L:avanda. A que eu escolhi em criança. Guias, aceito as lavandas. Que tudo na minha vida que não seja lavanda me seja levado. O sonho faz isso. Eu ia ficar testando as rosas ali até sabe Deus quando. Mas são retiradas. Que tudo me seja retirado a não ser o que floresce na minha cabeça: lavandas.

IMAGE CREDITS DIANA VREELAND } THE EYE HAS TO TRAVEL

A GUIRLANDA DE FLORES NA MINHA CABEÇA

Comentar
Facebook
WhatsApp
LinkedIn
Twitter
Copiar URL