VAMOS NA ILHA

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Dois momentos.

Numa sala pequena, muito com ar do escritório do meu pai na Lapa misturado com o escritório da minha mãe na Padre, mas menor, o João, ao mesmo tempo adulto e criança, está sentado sobre uma mesa pequena que ficaria na mesma posição em relação à porta que fica a mesinha que tem a impressora, ali no escritório da minha mãe na Lapa.

Ele está tomado por uma tristeza real e profunda.

Quando o sonho inicia isso já está configurado e eu já estava às voltas com tentar consolá-lo da maneira que desse, pois me parte o coração ver ele sofrer. 

Então eu saio da sala, meio até numas de pensar em como agir, e entro no aposento em frente que agora fica muito mais como a disposição de aposentos do apartamento da minha mãe na Padre do que outra coisa. 

Minha mãe está nesse aposento mexendo nuns engradados de plástico que tem coisas e ela ou me fala ou me mostra:

– O cachorro do João morreu.

Esse símbolo de cachorros, muito pouco definido ainda para mim, mas acho que seria algo ligada energia vital, à libido talvez, mas no sentido de energia vital básica. O João amava muito esse cachorro, como amaria uma pessoa.

Então de uma maneira meio doida de sonho, nesse momento se configura que o motivo da profunda e avassaladora tristeza do João seria a morte desse cachorro, mas antes não tava isso. 

Então eu entro novamente na sala onde ele ainda estava exatamente do mesmo jeito e continua meio sem lógica pois ele já estava triste, mas eu tinha que comunicar a ele que o cachorro tinha morrido e essa era a razão da tristeza na qual ele já estava imerso.

Eu digo isso, que o cachorro morreu, não fica definido como. Nnao lembro de eu dizendo a frase. O que lembro é essa bizarrice de eu ir comunicar a causa da tristeza na qual ele já se encontrava.

Ele está frágil e meio encolhido e eu com todo o cuidado come ço a abraçá-lo e ele, me olhando com muito sofrimento, me diz algo que gostaria de lembrar melhor, mas que era mais ou menos:

– Fale as coisas que são verdade.

Me olha profundamente nos olhos e até no sonho eu penso que essa frase destoa um pouco ali do contexto.

Eu o abraço e o amor que irradio fala por mim mas então, completamente do nada, me vejo fazendo algo que não tinha idéia de que iria fazer.

Do nada ali na sala tem um outro cachorro. Esse cachorro, não entendo de raças de cachorro, é um cão grande, de pelo curto, cinzento chumbo, com orelhas assim caídas, nossa, não sei que raça é. Ele é um cão adulto, nem velho nem filhote e tem algo nessa cor cinzenta que claramente passa uma idéia de que o cão não tinha os atrativos mais atrativos de cachorro, por exemplo, não era um goldem retriever, todo dourado, não era um filhote fofinho. Era um cão cinzento, mas muito, muito cheio de vitalidade.

Até mesmo no sonho, no que olho e vejo aquele cão, mesmo estando com o foco principal em consolar o João, penso comigo que esse cão não era fofinho e atraente como o cão que morreu, mas…

Estava vivo, muito vivo, e olhava o João com olhos expressivos e pedindo carinho, como os cães fazem.

E é bem coisa de sonho pois até então não havia registro de outro cão do João, mas na hora que o vejo ali, passa a haver, passa a ser que o João teria esse outro cachorro e eu me vejo dizendo:

– Pense nos outros cães que você tem e que precisam de você.

E hoje rezando com meus Guias, a mesma imagem me ocorreu. Existe um cachorro que perdi, ou acho que perdi. Mas minha vida real, como um grande cão cinzento, talvez menos atraente mas muito cheio de energia, me olha pedindo que eu cuide dela. Vou parar de chorar pelo cachorro perdido e cuidar e amar esse cão cinzento. 

 

E então estou eu sentada ali na cadeira branca nova.

Esse sonho seria daqueles que tem uma grande parte que fica fora de quadro.

Eu coabitava com a Lú e essa amiga dela.

Ah, péra. 

Tá vindo uns flashes. Acho que tem sim umas cenas com eu sozinha, sozinha, me sentindo sozinha e abandonada, e termina com isso.

A Lú estava sempre com essa amiga dela. Não lembro mesmo se eu me sentia abandonada por ela ou pela vida em geral. Acho que mais a segunbda opção. Não estou com ressentimento da Lú.

Mas então culmina que estou sentada ali na cadeira chique, desarrumada, enfeiada, e numa espécie de transe de tristeza.

Estou parada pensando em quase nada. O pensamento que toma forma é que existe um parque ali do lado, não o Parque Augusta, um parque recorrente dos meus sonhos, que teria uma grande parte em rampa, no meio do bosque, talvez seja um parque de uma vid anterior, pois em vários sonhos, surge como um lugar paradisíaco. 

– Eu podia ir nesse parque, penso, É do lado.

Mas não consigo me mobilizar a ir, e até isso é exagero, pois nem mesmo tento me mobilizar para então não conseguir. Estou apática.

E então a Lú e sua amiga passam ali por trás, pois a kit está bem realista, elas passam entre a cadeira e o móvel preto e saem para o hall dos elevadores.

Eu me viro e pergunto:

– Onde vocês vão?

– Sair, responde a Lú.

Saindo da minha apatia, olho e vejo que as duas, que estão bem jovens, com uns 20 anos, estão de macacão. Nunca que elas iriam passear com macacão. Aquilo é roupa de trabalho. Digo exatamente isso:

– Nunca que vocês iam sair com essa roupa.

E então a amiga dela, que parece uma versão minha meio que misturada com aquela menina que escrevia o blog “Ninguém lê essa porcaria”, e não sei como eu sei como é essa menina, eu vi uma foto dela onde?

De qualquer forma, uma menina de rosto meio cheinho, tipo o meu, com um farto cabelo encaracolado, desse encaracolado miúdo que nem gosto muito.

Ela se vira para mim e me responde:

– Vamos na ilha.

Ou “numa ilha”. Acho que “na ilha”. 

Existe essa ilha na minha vida e o Universo vai e levar para ela.

 

 

 

VAMOS NA ILHA

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