EU ESTARIA TOTALMENTE SOZINHA

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{21 de junho de 2026}

Contrariando tudo o que parece ser minha vida acordada.

Era um apartamento, não uma casa, e algo nele me lembra o apartamento do meu avô na Paulista, no qual eu ia visitar ele com a minha mãe antes dele morrer.

A sala tem móveis que ficam entre serem os meus e os da minha família.

Eu moro ali com meus pais. Com minha família.

Estou naquele momento sozinha na sala e

Me sinto profundamente, profundamente triste.

Esse sentimento de estar profundamente, profundamente triste já é em si um elemento recorrente de sonho.

Muito, muito triste mesmo.

Não tenho vida própria ali, sou quase, como o personagem dizia ali no filme do Backrooms, um dos móveis.

Fico ali de pé no meio da sala procurando um alguma coisa que eu possa fazer que eu queira, e a única coisa que me ocorre é arrumar a sala, que está arrumada de acordo com o gosto da minha mãe, que não acho muito bonito.

Começo a rearranjar os móveis e apenas isso já começa a deixar tudo bem mais bonito, na minha opinião.

Os móveis não são difíceis de mover, nada que me prejudique fisicamente. Já dei uma rearranjada básica e estou pensando em colocar um arranjo no vaso, bem bonito e tal, quando…

– Essa não é minha casa, eu penso. Não quero ficar aqui arrumando uma casa, investindo meu tempo e energia e capacidade em arrumar uma casa que não é a minha.

É o que penso.

E então vem a parte mais forte do sonho e a que mais me confunde. Pois primeiro eu penso, bem, quais são as minha casas?

A primeira que me ocorre é a da Padre. Penso nisso racionalmente, mas não sinto impulso de ir para lá. Aí lembro, mas péra, a Padre está alugada. Não é mais minha casa.

Eu tinha sim uma casa, a minha kit aqui no Centro, que no sonho bizarramente se encontrava totalmente arrumada, mas trancada. Trancada havia mêses. Havia mêses eu estaria morando ali na casa dos meus pais. Ficava pensando em como estaria a kit, trancada. Eu a havia deixado perfeitamente arrumada. Trancada desse jeito, deveria estar em ordem.

– É a minha casa, eu tenho sim uma casa.

E aqui vem a coisa confusa. Eu tinha uma casa totalmente minha. Essa casa se encontrava toda montada, já do meu jeito, e… eu não queria ir para lá.

Ali de pé no meio da casa na qual eu não gostava de estar, eu me sentia… não sei definir exatamente o quê… sem o impulso.

Não chegava a ser como nos dois sonhos que subi no site recentemente, os dois sobre algo que aprisionava a pessoa dentro da casa do Mal. Eu não sentia o impulso de ir. Na hora que pensava na kit, aquilo não acendia em mim algo como, nossa, eu tenho sim uma casa, como se fosse a solução. Eu ficava até pensando que devia me obrigar a ir, ficava até meio que me mobilizando para isso, mas…

Então me vinha esse pensamento que parecia anular de vez a possibilidade de mesmo na base da disciplina, me obrigar a ir para minha kit:

– Eu ficaria totalmente sozinha lá, eu pensava.

E tinha medo de ficar na kit sozinha com meus pensamentos.

Ali na casa dos meus pais, entre coisas que eu não gostava, entre pessoas que eu não gostava, sem vida própria nenhuma, eu me sentia protegida de pensamentos pesados, que se eu estivesse sozinha na kit, cairiam sobre mim sem defesa.

Agora escrevendo me veio sim uma sombra de sentido.

Se eu abraçar a minha vida, se eu morar na minha vida, terei que lidar com meus pensamentos sombrios sobre ela. Sozinha.

Mas é o que me parece o certo.


EU ESTARIA TOTALMENTE SOZINHA

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