QUATRO CASAMENTOS E UM FUNERAL

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22 Novembro 2003

Eu estava numa casa cheia de agitação e alegria. Estavam sendo feitos os preparativos para o meu casamento. Eu estava colocando o vestido de noiva, mas não estava feliz. Aquele casamento tinha sido arranjado pela minha mãe, e eu não gostava do noivo, nem estava a fim de me casar.

Então resolvo dar uma escapadinha antes da cerimônia para ir ver Jesus Cristo.

Vou. Ele está sendo crucificado pelos romanos e quando eu dou por mim estou agarrada no braço da cruz em que Jesus está pregado, vestida de noiva!

Olha que imagem! 

Não consigo lembrar como fui parar lá, mas concluo que devo ter me agarrado à cruz enquanto Jesus estava sendo pregado e os romanos devem ter me levantado junto. As pessoas estão judiando muito de Jesus e dizendo coisas humilhantes para ele, e a tudo ele responde com santidade. Fico com muita pena e admiração pela sua coragem, mas não estou aguentando mais ficar me segurando lá em cima. 

 A cruz está muito, muito alta, uns 15 metros. Olho para baixo e tenho medo de pular. Não sei se eu morreria na queda. Penso: ia ser um triste fim esse, acabar toda quebrada aos pés da cruz. E mesmo que eu não morresse, no mínimo ia sujar muito meu vestido de noiva.

Mas no momento seguinte já estou na rua, correndo de volta para meu casamento, me sentindo culpada de estar atrasada. Chego lá. está cheio de gente. Então me vem uma coragem súbita e digo para minha mãe que não quero mais casar. Ela avisa as pessoas que não haverá mais casamento.

Então reparo que apesar de eu estar atrasadíssima, o noivo não apareceu. Ele me deu o cano!!!!

Fico pensando: não acredito! Eu ia ser deixada no altar na frente de todo mundo, justo eu que tenho complexo de rejeitada, ia passar pela maior e mais humilhante das rejeições, publicamente, por que isso acontece comigo, meu Deus?

Mas tudo imediatamente entra em outro momento.

Estou a caminho de uma cidade para me casar. O cenário lembra muito coisas tipo Santiago de Compostela e essa cidade é uma espécie de cidade sagrada dos casamentos.

Estou indo com três homens, sem minha mãe, e dessa vez estou feliz, porque eu mesma escolhi o noivo entre esses três homens. Um deles é um rapaz sem cultura e sem educação, mas de muito bom caráter e coração, chamado Eliseu, outro é um negro muito meu amigo, e o terceiro é um cara certinho sem muita definição. Foi interessante porque minha mãe tinha depreciado o Eliseu, por causa da sua falta de cultura, e eu tinha sido influenciada e começado a vê-lo meio com inferior, então a escolha tinha ficado entre os outros dois e eu tinha escolhido o certinho porque a primeira vista ele se encaixava mais no papel de noivo ideal.

Eu tinha arranjado noivas para os outros dois e todos nós nos casaríamos na tal cidade sagrada.

Chegamos em um hotel e enquanto estamos nos acomodando nos nossos quartos percebo que na verdade não gosto do meu noivo e que tinha feito a escolha com a cabeça e não com o coração. É tarde demais para romper o casamento. Fico triste. Olho para o Eliseu e tenho a impressão que na verdade gosto mesmo é dele. Ele está entrando no seu quarto com a noiva que arrumei para ele e percebo admirada que ela é uma mulher de beleza estonteante. Fico surpresa porque parece que só eu estou notando isso. Entro no quarto junto com eles e enquanto eles se preparam para dormir, fico me limpando da viagem no banheiro e fazendo meus planos. Decido que não vou romper o casamento, mas vou pelo menos passar uma noite de amor com o Eliseu, já que gosto dele. Chamo ele de lado e vou dizer isso, quando me volta a observação da minha mãe sobre ele e derepente ele não me parece mais tão atraente e eu começo a duvidar de que eu goste mesmo dele. Saio do quarto.

No dia seguinte estou com meu noivo certinho quando me dá uma coragem súbita outra vez e eu digo que não quero mais casar com ele e que amo outro. Para minha surpresa ele é super compreensivo e pergunta de quem eu gosto. Não sei responder. Começo a achar então que gosto do meu amigo negro. Começo a ter imaginações românticas sobre ele, decido procurá-lo e me declarar.

Vou, decidida. No caminho, tenho que atravessar uma escola entupida de gente jovem. Um homem desagradável fica me agarrando. Bato nele, mas ele não me solta. Fico com medo e chamo pelo Eliseu, para que ele venha me acudir. Consigo me desvencilhar do homem e vejo que é um japonês. Penso: não acredito, outro vez me aparece um japonês! 

Chego no hotel, finalmente. O meu amigo negro e o Eliseu estão fazendo faxina, com vassouras. Chamo o meu amigo para uma volta pelo bosque. Vamos conversando. Mas quando estou prestes a me declarar, percebo que todo aquele clima romântico que existia na minha cabeça era ilusão e o que eu sinto por ele é uma profunda amizade. Eu o abraço e digo isso a ele e percebo que ele ficou um pouco chateado, por que me amava e queria casar comigo. 

Me vem uma clareza absoluta e completa de que quem eu realmente amo e sempre tinha amado, era sim, o Eliseu, e que eu tinha me deixado influenciar pelas opiniões da minha mãe, porisso o tinha rejeitado. Mas não ia mais fazer isso. Resolvo procurá-lo e me declarar. Sei que serei correspondida. Chego ao hotel, e o encontro.

Digo: Eliseu! 

E o sonho acaba.




QUATRO CASAMENTOS E UM FUNERAL

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