GUERREIRA

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16 Outubro 2003

Primeiro estou em uma grande cidade cercada por muralhas, como uma cidade medieval. Estou com meu pai e minha mãe. Estou bem, mas minha execução está marcada para o fim do dia. Não consigo acreditar que meu pai e minha mãe não vão me ajudar a fugir. Fico o tempo todo esperando que eles façam alguma coisa para me ajudar, mas,apesar deles estarem me tratando bem, para eles é fato consumado que eu devo mesmo ser executada. E me sinto sem condições de fugir sem a ajuda deles. Aí muda. Sou uma grande guerreira, do tempo dos bárbaros, pareço Xena, a Princesa Guerreira. Estou presa num quarto, com dez outros guerreiros. Um daqueles guerreiros foi sorteado para me matar em uma espécie de coliseu da cidade. Mas dessa vez sou uma guerreira muito forte e poderosa. Mas também muito odiada. Sinto que a minha morte já está decidida, e mesmo que eu vença este guerreiro, outros e outros virão lutar comigo até que um consiga me matar, por que as pessoas querem me ver morrer. Por causa disso apesar de ser forte, estou meio paralizada de medo e derrotista. Os guerreiros sairam todos do quarto, só um ficou. Este é um homem que me ama. Ele se aproxima e quer me ajudar a me preparar para o combate no coliseu. Conversa comigo. Ele tem uma opinião diferente, acha que será um combate justo, e tudo que eu tenho a fazer é vencer um homem, o que é fácil para mim. Não consigo muito acreditar nisso, mas começo a reagir. Pergunto para ele: você viria me ajudar a lutar? E ele responde que sim. Percebo que ele me ama. Saio daquela passividade inicial e começo a me preparar para a batalha. Pego um enfeite do quarto e treino a luta de espada. Aí o homem se foi e quem está comigo é uma moça de uns quinze anos, que parece uma ninfa, tem cabelos loiros e escorridos quase até o chão e um olhar muito doce. Ela é uma espécie de entidade que veio para me ajudar. Digo para ela que vou até o bosque pegar umas ervas para fazer veneno, que posso usar em combate. Saio por uma janela, atravesso um refeitório. Numa mesa estão sentadas algumas amigas minhas em quem não confio muito. Digo um oi rápido e passo. Elas ficam indignadas de eu não ir falar com elas, mas eu acho que elas não são amigas de verdade e no fundo elas torcem para que eu me dê mal e não posso gastar um pingo da minha preciosa energia antes da luta com gente assim. No bosque  encontro de novo a ninfa loira e reparo como ela, ao contrário das falsas amigas do refeitório, me olha de um jeito doce e amoroso. Penso: essa sim é minha amiga. Pego as ervas e preparo o veneno. Estou com minha espada, punhais em todos os cantos da minha roupa, e meu veneno secreto. Estou preparada para o combate. Durmo abraçada na espada. De manhã sou levada a uma arena abaixada, como uma piscina. Estou concentrada ao máximo. Digo para mim mesma que não vou ouvir nem pensar nada, vou ser ação pura e matar o primeiro que aparecer na minha frente.Entra um guerreiro com uma armadura negra. Antes que ele tenha tempo de me olhar direito, já dou uma estocada que o derruba e passo veneno no seu pescoço. Quando o veneno começa a agir, giro minha espada e decepo a cabeça dele. Foi muito rápido e muito fácil, mas minhas previsões ruins se confirmam: ao invés de me libertarem, outro guerreiro entra na arena, dessa vez a cavalo. Corto a perna do cavalo quando ele passa, derrubo o guerreiro e o mato, mas sei que virão outros e outros. Vou lutando sem esperança, ficando cada vez mais cansada e machucada. Na hora que começo a bambear, ouço um grito de guerra de alguém da platéia que pula dentro da arena. Achei que era outro guerreiro que vinha lutar comigo, mas não, era aquele que me amava que vinha me ajudar. No meio da luta acontece uma coisa que parecia uma cena de cinema, enquanto estamos lutando, o espírito dele começa a dançar com o meu e me beija. Mas apesar disso eu sentia que não teríamos chance, íamos morrer ali. Aí sonhei com depois da batalha. Eu sobrevivi e fui libertada. O guerreiro que me amava morreu. Estou vagando pela cidade completamente surtada. Levanto a espada para qualquer pessoa que se aproxime, achando que querem me matar. Estou convencida que meus inimigos não vão deixar que eu escape e espero emboscadas em todos os cantos. Firo os olhos de uma menina achando que ela vai me atacar, quando vejo que me enganei eu mesmo os curo com meus poderes de cura.A única pessoa que me trata bem é a M., uma amiga que na vida real eu não confio nada, menos ainda que nas amigas do refeitório. A M. também tinha sido guerreira e me cumprimenta pela minha bravura na luta. Ela me dá de presente a espada dela. Vou andando agora com duas espadas. Quero voltar ao meu quarto para pegar minhas coisas, mas estou certa de que uma emboscada me espera. Peço para uma menina ir pegar para mim. Entro depois esperando surpreender meus inimigos, mas só encontro um grupo de japoneses jogando cartas numa mesa. Aponto a espada para eles instintivamente, e eles me olham com ar de “qual é o problema dessa louca?” Fico até com vergonha. Resolvo sair da cidade. Me sinto uma fantasma ali, parece que ninguém me vê. Me sinto muito, muito sozinha. Começo a desconfiar que talvez tenha morrido mesmo, e seja só uma fantasma de uma guerreira dos tempo passados, que vaga pelos corredores empunhando uma espada, lutando uma luta que não está mais acontecendo. Saio da cidade e pego a estrada. Estou triste, triste, triste. Penso que teria sido sensato trazer pelo menos uma coberta comigo, mas tive preguiça de pegar, e de uma maneira estranha, estou com raiva de mim. Meu corpo que morra de frio. Penso em trocar a espada da M. por um cavalo na próxima cidade. Mas acabo chegando a uma cidade dos tempos do velho oeste, mas moderna que a que eu estava antes. Ninguém mais usa espada. Fico seriamente desconfiada de que eu tenha morrido na estrada e reencarnado ali.

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