O COLÉGIO NO CAMINHO

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30 Agosto 2003

Sou um garoto de uns dez anos e estou voltando para casa. Estou dirigindo meu carro, numa rua cheia de gente. Vou tentando passar com o carro entre as pessoas, mas de repente o carro se foi e eu estou a pé. Tem um monte de gente comigo, e todos estão tentando voltar prá casa também. Começamos subir uma ladeira cheia de barro e deslizamentos. Percebo que deixei meus tênis lá embaixo. Fico na dúvida se volto ou não para buscar. Os tênis vão me fazer falta, mas decido continuar descalço mesmo.

Temos que atravessar um colégio no caminho. O percurso vai ficando mais e mais difícil. Muitas pessoas desistem, mas um grupo mais ousado, liderado por mim, continua em frente. Apareceram muitas paredes, mas elas não chegam até o teto, então vamos passando pelo e vão, até que percebo que minha cabeça não passa mais e ficou impossível continuar.

Ficamos presos no colégio. Percebo que ao tentar passar pelo vão do teto, perdi minha prancha de surf, que era uma moldura de quadro. Fico muito chateado ,mas não tem como recuperá-la.

Depois de um tempo presos no colégio, fico sabendo que as normas são que teríamos que esperar um longo tempo por uma pessoa encarregada de conversar com a gente sobre o nosso caso e nos libertar.

Fico indignado. O que esses caras estão pensando, não somos alunos dessa escola, não temos que nos submeter a essas regras idiotas. E eu menos ainda, por que sou adulto, crescido e dono do meu nariz. Foi-se o tempo em que os adultos tinham poder sobre mim. Os guardas do colégio passam arrastando um garoto que tentou fugir e foi capturado, mas isso não me intimida. Decido que vou sair dali de qualquer jeito. Fico planejando ir mexer nos computadores da escola para desprogramar o sistema de segurança deles e abrir os portões, mas justo quando estou pensando se conseguiria fazer uma coisa tão complicada vejo que os portões estão todos abertos. Saio decidido. Tenho que evitar ser capturado de novo pelos guardas.

Vou correndo pelas ruas, pensando no que fazer. Penso em pegar um táxi, mas perdi minha carteira. Acabo indo parar num bairro cheio de tipos meio perigosos, e saio de lá rapidinho. Me sinto confuso e desanimado. Não tenho dinheiro nem direção. Meu objetivo era chegar numa praia que tem depois do colégio, mas esqueci o nome dela, então fica muito difícil encontrá-la.

Tenho medo de ficar com fome e acabar perdendo as forças, que é tudo o que me resta depois de tantas perdas, e me veja obrigado a voltar para o colégio.

 

 

 

 

 

 

O COLÉGIO NO CAMINHO

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