{26 de maio de 2018}
Teve uma parte que me parece super claro o sentido e a outra, a do nome do sonho, nem um pouco.
É uma pequena casa com ares de casa de madeira da Eslováquia, nem sei se existe esse país, tipo Suécia antiga, a gente vê nos filmes casas assim.
Há uma figura masculina tipo um senhor mais velho e eu.
Vejamos.
Eu estava entretida com ocupações mas então, como que rompendo uma situação de hesitação, ou melhor, como que tomando a decisão por mim, esse senhor faz o que seria preciso.
Ele escreve uma carta a mão.
Nessa escrita tenta imitar a letra de uma mulher que não sou eu.
Uma mulher de certa autoridade e que fazia parte do governo no poder do momento.
Como se fosse um tempo em que uma espécie de Gestapo estaria no poder.
Havia sim um ligeiro ar de anos 20. A imagem dessa tal mulher surgia com um uniforme de gola fechada e penteado anos 20.
Tendo escrito essa carta e a imitação da letra nem precisava ser muito perfeita, pois a letra verdadeira não estaria possível para uma comparação, cabia a mim me dirigir com essa carta até uma espécie de central dessa gestapo na qual eu me infiltraria sob a identidade dessa outra mulher.
Com a carta e não havendo outras maneiras de comprovar a identidade, era razoavelmente tranquilo que eu não seria descoberta.
Debaixo dessa falsa identidade e infiltrada ali, eu poderia influenciar tudo de forma positiva.
Era uma missão de certo risco.
Não seria a coisa mais arriscada do mundo.
Pois uma vez lá dentro, eu não teria que fazer nada, apenas ficar ali.
Enquanto eu ali nessa casa de madeira, via o senhor de idade escrevendo a carta, repassava o plano e chegava sempre a mesma conclusão: que a chance de não ser descoberta era muito grande.
Mas caso fosse, seria morta provavelmente com muito sofrimento.
Fico no sonho fantasiando o que me aconteceria caso fosse descoberta e me vejo toda machucada principalmente nos olhos, jogada no chão por soldados numa sala cheia de outros soldados para mais um interrogatório.
Muito horror mesmo.
O motivo de me parecer que entendo essa parte do sonho é que ela reproduz com outros elementos o que sinto a respeito desse projeto de filmar o curta principalmente ontem ali sentada na platéia daquela peça, óh como direi, talvez seja melhor prosseguir nessa linha de nem pensar mal.
Havia uma forte atração nesse plano.
Como se fosse “a coisa” e as demais que eu estava fazendo eram meio secundárias.
Não sei se terei essa coragem.
Fico ali no limite, hesitando.
Tem uma hora pego a espécie de bacia onde o senhorzinho havia deixado a carta junto a outras cartas corriqueiras, a carta que me meteria nesse plano-da-minha-vida junto com corriqueiras cartas de contas, de publicidade, etc, e numa linda cena aliás, caem no chão e uma delas está manchada de sangue.
Sim, essa decisão é de vida ou morte.
E como naquele outro sonho que me pareceu hermético
A COISA ERRADA OU A CARTA PARA MIM MESMA
"Algo ocorreu. Não sei o quê.
Mas algo que pode me comprometer e do qual tenho que esconder os rastros.
Aí que realmente... não tem nada assim na minha vida.
E mesmo no sonho é uma coisa meio confusa, porquê na verdade eu ainda não estou envolvida em nada errado. Mas tenho um momento de insegurança em relação a algo que não fica claro o que seja, e então, bolo um plano para encobrir meus rastros.
O plano seria mandar uma carta falsa para mim mesma, como se fosse de outra pessoa, com meu RG e sei lá o que mais dentro.
Isso despistaria a policia sobre meu envolvimento.
O ponto maluco de sonho é que, até então eu não havia feito nada de errado. Mas se fosse em frente com esse plano de despistamento, aí sim,estaria de fato comentendo um ato errado.
Estou agindo meio por medo. Mesmo não tendo feito nada ilegal, não quero que a policia venha falar comigo, porisso que penso nesse plano.
Rapidamente pego um envelope, coloco o RG e aquela outra coisa dentro, começo a escrever meu próprio endereço. Como sei que carta sem remetente não é enviada, já penso onde posso pegar um endereço qualquer para colocar ali, penso em tirar de um catálogo qualquer.
E então... tenho um momento de lucidez. Ali,sozinha, envolta em sentimentos que parecem ser uma nuvem escura, assustada e já no processo de usar minha inteligência para ocultar meus atos, sem deixar de sentir um certo prazer nisso, porquê me acho esperta. tenho um instante de lucidez.
Percebo que, mesmo com todos os sentimentos ruins, até então não cometi nenhum ato errado. Mas se enviar aquela carta, terei cruzado essa linha, e isso não terá volta. E quanta coisa errada a gente faz sem perceber, ou sem perceber que é errado, e depois paga um amargo e pesado preço, e aquilo, eu estava plenamente consciente de que estava fazendo por livre e espontânea vontade, algo que era errado.
E então me detenho. Pelo menos isso. Tantos sonhos nos quais percebo coisas que não chegam a ser ilegais, mas que não quero fazer, mas não consigo me deter, aqui consigo.
Penso comigo que se eu agüentar a tensão de sei lá o quê, a investigação da policia, parece, sem mandar a carta, não terei feito nada errado e teria a consciência limpa.
Toda essa conversa parece moralista, mas a essa altura do campeonato já aprendi na carne o valor de uma consciência limpa.
Coloco a carta na bolsa e penso que em caso de necessidade extrema, ela está ali e pode ser postada. Mas que não vou fazer isso a não ser que surja essa necessidade, coisa que até então não se configurou."
Tudo ficava girando ao redor dessa carta ser enviada, a carta com sangue.
Confuso mesmo pois no começo eu teria que me apresentar nesse centro da gestapo com a carta. mas nesse momento. a carta teria que ser enviada e feito isso ,eu estaria num caminho sem volta.
E muito vagamente parece que o senhor, vendo que eu ainda hesito, pega a carta e vai enviar pelo correio e com isso estarei já dentro dessa coisa a qual no fundo desejo estar. só não estou conseguindo tomar a decisão.
E é exato o que sinto em relação ao curta. Pois não sei se tenho capacidade de dar conta e a chance maior é de que não, e estou disposta a fazer mesmo assim, pois sempre é vantajoso e se aprende, mas posso acabar bem machucada e talvez morta.
E ao escrever isso de “caminho sem volta”, outra parte do sonho começou a parecer menos irrelevante.
Meio que perto dessa passagem, há um caminhão, tipo um caminhão não grande de carga, que eu dirijo cruzando uma ponte e ele vai numa velocidade desenfreada como se estivesse fora de controle, mas desde o início eu tenho plena consciência de que não está.
Que posso frear, e inclusive voltar e é o que faço. Freio o caminhão e retorno apenas para sentir que posso.
E então a coisa mais forte e doida.
Numa sala bem parecida com o cenário da primeira parte, essas casas de madeiras que chamo de “eslavas” nem sei se é correto, mas essas coisas sei lá, suecas, dinamarquesas antigas que tem uma cara completamente própria, sou levada por minha mãe para falar com uma mulher boa com ajudas psicológicas e ao mesmo tempo foi iniciativa minha.
É uma cena super forte apenas pela carga ali contida, não pelo que se passa.
Estou sentada numa cadeira defrente a uma mesa pequena.
Minha mãe, como se me aguardasse, se sentou recuada a minha esquerda numa cadeira enconstada na parede.
Sentada na mesa, sobre o tampo mesmo da mesa, está uma mulher jovem, por volta de 30 anos, com um rosto que surge hiper nítido, mas não é nenhum da vida real, nem mesmo filmes. Ela tem um formato meio oval de rosto que nem ao meu remete, tenho rosto bem redondo. O queixo dela é desse tipo que faz ponta, o formato do rosto fica como um pingo invertido.
Sua pele é ligeiramente azeitonada e não branca como a minha.
Tem um cabelo negro num penteado muito anos 20, curto assim meio do pescoço, formando aqueles gominhos, mas nada gritante.
O que fica “gritando”, ou melhor dizendo, o que fica saliente na cena é uma blusa que ela usa de abotoar que super hiper remete a blusa que a atriz do Psicose coloca antes de fugir com o dinheiro.
Assisti Psicose há pouco tempo para ver o PB do Hitchcook, que é lindo, mas o que acabou me impressionando foi primeiro o vestido chemisie que a atriz usa no começo e que é branco, atemporal e ficaria lindo na Dri no curta, pois ele brilha e se destaca.
E depois a blusa que ela veste quando chega em casa e se prepara para fugir com o dinheiro. A blusa é quase colante, coisa que me impressionou, pois não existia malha naquele tempo, e desenha o corpo da atriz de uma forma quase surreal, sendo fechada com vários botãozinhos e a cena fica legal acho que em parte por causa disso, a blusa sendo fechada e desenhando tão perfeitamente o corpo lindo dela. Claramente Hitch usou isso.
A blusa era quase igual e enquanto a mulher fala comigo, olho a blusa e penso nisso, no quanto ela fica quase como uma armadura delicada ali sobre o torso perfeito da moça.
O diálogo entre nós é curto e forte.
– A mãe é a origem, a mulher me diz me olhando penetrantemente, como a moça do sonho
A ANUNCIAÇÃO OU A FOLHA LARANJA
E nisso aponta para a parede a minha esquerda, para um quadro pequeno com uma foto antiga de mãe, mas ao mesmo tempo, a mesma parede onde minha mãe está encostada, mas no sonho isso não me ocorre. Penso na foto, que ela aponta a foto.
No sonho penso meio assim: ó meu deus,a quela coisa constelativa de mãe, mãe ficou me perseguindo na vida real e agora surge no meu sonho, então é para eu atentar mesmo.
Estou vagamente ciente de estar sonhando e lembro sim da recorrência dos vídeos de constelação batendo nessa tecla.
Olho a mulher e sem agressividade digo:
– Olha, eu te respeito, tanto é que vim aqui, mas vejo muitas pessoas que não se dão com a mãe e tudo bem.
Sentada bem defrente a mim, inclinada na minha direção, literalmente do alto do seu poder e autoridade, essa impressionante figura feminina silencia um instante como que pensando no que eu disse e logo retruca:
– Num primeiro momento pode ser.
Como que querendo dizer que mesmo que isso fique como solução, é temporária e haverá uma “volta à mãe”.
Já aprendi que se não consigo entender o que o sonho quer dizer, nem preciso me agoniar, muitas vezes somente anos depois é que tenho como.
Claramente essa insistência parece apontar para que, apesar de eu ter desenvolvida várias estratégias de sobrevivência para a relação com minha mãe, a solução estaria em alguma outra coisa que significa esse “retorno” à mãe.
Ó Jesus me mostre o quê.
Ficar repetindo o ponto significa que é algo que devo perceber urgente,