VOCÊ NÃO CUIDA BEM DELES

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{29 de setembro de 2025}

O tipo de sonho que não curto muito registrar por não ter uma story line definida, apenas uma série de cenas fragmentadas.

Então estou eu nessa grande casa, totalmente fora de tudo da minha vida acordada, mas uma casa meio pique mansão.

E no que inicia, eu havia tido já dois relacionamentos amorosos significativos muito mal sucedidos.

Havia sido rejeitada nos dois.

Fica vagamente ali as figuras desses dois homens, mas são vultos borrados.

Achava que tinha mais coisa mas agora parece que era só isso.

Do nada, sem nenhuma motivação definida, entro num carro, um táxi, que está partindo da mansão já com dois passageiros, uma mulher morena muito jovem e seu filho de 10 anos.

Teve essa cena num outro sonho, eu saía de uma grande casa num táxi, aí percebia que ele estava me levando para o lado errado e descia. Uma cena tão banal, mas que deve ter um significado forte, se aparece repetida assim.

Nem sei o que estou fazendo nesse táxi.

Mas no que ele já avançou um bom tanto, o motorista, um homem com uma expressão meio malandra e mau caráter, responde a algo que eu pergunto com a seguinte afirmação:

– Você não cuida bem deles.

Se refere à mulher e ao menino, que ao escutarem isso, se fecham num silêncio ressentido e acusador.

Todo o ponto do sonho se dá nessa frase e minha reação a respeito.

Pois eu já estava me sentindo ressentida com a vida por causa das desgraças amorosas, levo ainda mais essa acusação, formulada com total convicção, e no meu entender completamente absurda.

– Mas que absurdo é esse? é o que penso. Como assim, esse cara acha que é minha obrigação, minha responsabilidade, talvez meu dever, cuidar dessa moça e seu filho, mas de onde vem isso? Só me faltava mais essa incubência nada a ver. Será que ele acha que a moça é parente minha? Só se for isso.

Nossa, agora me veio um rastro de entendimento.

– Eles não são meus parentes, penso comigo.

Estou tão brava que nem quero interagir com esse motorista. Digo para ele parar o carro, ele pára e eu desço e me afasto sem olhar para trás. Que essa fique sendo minha resposta.

Ando de volta à casa, afundada em indignação.

Minha vida já não tinha muito de proveitoso para mim, agora ainda mais essa de tentarem me jogar em cima responsabilidades e culpas que não são minhas.

Mas mesmo no sonho, apesar de achar que racionalmente estou coberta de razão, tenho uma pontada de dúvida.

Mas o motorista não tinha aquele ar puro e amoroso dos meus Guias, de quem acato 100% qualquer pito.

No que volto a casa, encontro ali um rapaz que tinha uma cara super familiar, mas não da vida acordada. Seria um rapaz jovem, com uma cara rosada com bastante pele e umas feições espremidas.

Mas ele me olha com amor.

– Então, penso comigo, é ele que me ama no final das contas.

Estou disposta a aceitar aquele amor, quando subitamente o rapaz, não sei se ele mesmo, ou se é a garota que o conduz, mas entram ele e uma garota de ar meio antipático num quarto parecido com o quartinho dos fundos da Gassipós, mas como se não tivesse parede da frente, pois tenho visão completa do seu interior.

O rapaz parece que se deitou ou se reclinou num colchão e a garota fica agachada na frente dizendo sei lá o quê para ele.

Eu fico ali no que seria a parte aberta do quintal dos fundos da Gassipós, esperando pacientemente, pois até o momento, aquele possível amor era a melhor coisa que tinha me acontecido.

Mas vejo essa interrupção como mais um dos azares que sempre acontecem comigo. No sonho é assim que encaro. Na vida acordada não tenho mais essa idéia. Foi ultrapassada.

E nisso fecha com essa forte coisa.

De repente, está sentada a minha frente, também aguardando o desenlace daquela conversa ou seja o que fosse ali, da menina antipática com meu talvez futuro namorado, a amiga da menina antipática.

Está sentada no chão, com as pernas esticadas para frente, pensando bem, uma posição não muito confortável para se ficar sentada no chão, uma menina ainda, de um amorenado com cara de indiana, mas ela seria, e isso fica colocado super definidamente, uma menina inglêsa.

Estava vestida com uma espécie de vestido que imitava uniforme escolar, com adereços no cabelo, muito embonecada no bom sentido.

Eu a olho, como costumo olhar qualquer coisa inglêsa, com total admiração.

– Como tudo que é inglês é sempre o que tem de mais verdadeiramente bacana e descolado, eu penso.

A menina irradia algo. Uma luminosidade invisível. Como a San Tarot descreveu, como se fosse em tecnicolor.

Tendo escrito esse sonho, mudei de opinião a respeito de duas coisas.

Primeiro: eles não eram meus parentes. Mas… se fosse, eu acharia que seria meu dever colocar a meu cargo o bem estar deles.

Coisa que eu claramente não queria. Quando pensei no sonho, não conseguia dizer se o sonho concordava com o motorista ou não.

Mas no geral, os pitos justos que recebi em sonho, e foram vários, sempre partem de figuras claramente benéficas. O ar do motorista e o jeito como ele me fala me lembra o Adriano me dizendo que era minha obrigação cuidar das filhas dele.

E a parte da menina inglêsa, que quando eu apenas pensei, me pareceu uma crítica, no sentido de me mostrar que essa minha obsessão com minha “loja inglêsa” é só uma ilusão, uma distração e um adiamento do que realmente importa, agora depois de ter escrito…

A suave luminosidade que revestia aquela menina não pode significar nada de ruim, muito, muito antes pelo contrário.






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