O GRANDE COMPLEXO

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{15 de julho de 2026}

Então localizando, tem-se esse basket que dizem que é o alinhamento master, tem um surto de xixis semana passada, agravado pela Gelde se recusar a me passar receita de remédio e ainda mencionar internação e eu aos trancos e sustos aprendendo a harmonizar meu sistema nervoso. Escuto os áudios da Louise Hay de manhã, de tarde e de noite e é essa a voz que quero dentro de mim. Não quero mais esses pensamentos ruins.

Falta um tantinho para finalizar o Small Talk. Tenho priorizado a cura.

É muito difícil para mim acreditar que tenho como aprender a me harmonizar. Fico achando que o demônio etc e tals.

Mas estou sim melhorando aos poucos e gostando dessas mudanças que estou fazendo.

Me encontro de cara dentro desse complexo.

Não sei se no começo tenho noção de que seria um complexo. Não consigo lembrar qual era a primeira cena.

Estou meio apática no sonho. Nem triste, nem embotada exatamente. Mais para apática e passiva.

Vou escrever conforme me vêm.

Eu tenho pasta na boca e preciso de uma pia para cuspir.

Nesse momento estou já nesse local e tenho uma vaga noção de que seria como que um condomínio de apartamentos e já tenho uma vaga noção do formato peculiar dele: seria uma edificação em forma de um quadrado, com um páteo no meio, como os conventos antigos. Eu estou no segundo andar. Parecem haver somente um andar, que seria no segundo andar, não no nível do chão.

Ali no sonho no qual minha mãe não me via eu estava num lugar muito similar, uma edificação que tinha um segundo andar e um páteo no meio abaixo de onde eu estava.

Então eu procuro uma pia e entro ali no banheiro da casa que não me pertence e na qual pareço estar de visita e vejo umas pias pequenas e emporcalhadas e de certa forma eu penso que como sou uma visita e não dona da casa, tenho que me conformar em cuspir ali mesmo, quando entra uma garota, garota mesmo, uns vinte anos para menos, e simpaticamente me diz assim:

– Essas pias são dos donos da casa. Para as visitas tem essa pia da minha avó.

Esse é o nome adequado para esse sonho, a pia da minha avó.

Escutando isso, me preparo para ver uma pia ainda pior do que as que eu já me dispunha a aceitar, porquê o tom de voz da garota, mesmo sendo bem vibrante e cordial, passa essa impressão.

Mas seguindo a direção do gesto dela, que aponta para algo, vejo que na sequência dessas pias pequenas e emporcalhadas, tem uma pia antiga belíssima, de mámore verde, grande, majestosa, coisa de palácio mesmo. E ainda por cima limpa.

Então essa era a pia que me cabia. E registro aqui que essa imagem encerra um ciclo de uma vida sonhando que tenho que cuspir pasta ou coisas na minha boca e não tenho pia ou somente tenho pias porcalhadas.

Olhando para a pia, claro que me apaixono e começo a querer morar ali.

Aí a outra cena que acho que vem logo depois dessa seria:

Tem um estilista que ocupa um dos ambientes aí desse lugar. É um ateliêr de cimento queimado que passa uma impressão de vida e frescor.

Uma das coisas que me deixou contente nesse sonho é que ele é grande e complexo e eu estava com medo de que o Patz me prejudicasse os sonhos. Tem coisas em relação a esse estilista boiando aqui na minha mente e eu não me lembro, mas tinha algo.

Mas eu estou ali meio ajudando ele numa determinada coisa e fico vendo o ateliêr dele e… o que percebo que desejo é trabalhar com roupas.

No sonho eu percebo que desejo isso mas não vejo um caminho. Penso em conversar com ele e mostrar minhas criações. A partir desse momento o sonho fica meio que girando ao redor de eu perceber que quero isso mas não saber como fazer ou até mesmo achar que não tenho como fazer nada.

Tem um momento em que fico sozinha no ateliêr dele pensando nessas coisas. Meio sem objetivo, saio ali do ateliêr e como os outros ambientes desse lugar, ele dá para esse corredor que forma uma linha quadrada, para o qual se abrem todos os aposentos, e do lado oposto a essa parede que tem as portas tem uma amurada, que se inclinando sobre ela pode-se ver o páteo lá embaixo.

Estou mesmo apática nesse sonho. Então eu saio para esse corredor, pensando no quanto não tenho como trabalhar com roupas e é nesse momento que tomo conhecimento desse complexo de verdade.

Vou andando e umas portas depois da porta desse atelier, há a entrada de um estabelecimento que seria mais ou menor um café ou bar noturno, que tem dois andares, o andar no nível onde estou e mais outro, e uma fachada que mistura vidro e madeira e é hiper super legal. Muito bonito e atraente e parece um lugar meio caro e bem sucedido. Fico encantada. Que legal. Que coisa bacana. Agora pensando, aquela galeria que fizeram na frente do supermercado Padrão tem essa vibe de coisa legal, mas essa do sonho de forma alguma é uma reedição daquela.

Fico olhando esse café ou bar, pois tem algo ali que deixa claro que o lugar abre de noite, e pensando em vir aí até, aliás parece mais que justamente só abre de noite, o que é bem auspicioso, uma vez que tenho tido coisa difícil bem de noite. Mas sigo andando e páro ali e pela primeira vez observo o complexo todo.

Tomando a coisa como um quadrado, seria um quadrado de uns 40 metros por 40 metros, todo ocupado por estabelecimentos variados e todos legais. Já tinha a casa, a habitação mesmo, que tinha aquela pia luxo. Depois o ateliêr do estilista. Esse café legal. Depois do café tinha outros estabelecimentos que não ficam claros quais seriam, mas todo bacanas de verdade.

E aqui vem o mais louco. Esse complexo, nem sei se consigo descrever por escrito, estaria dentro do meu quarteirão. Aqui da Praça Roosevelt.

Não sei porquê, quando estava repassando esse sonho na cabeça, coisa que só tive ânimo de fazer depois da consulta com Dra Anne, que foi hoje depois do almoço, tinha algo confuso sobre a entrada do complexo ser na Consolação, ali mais ou menos onde fica a entrada da pensãozinha. Mas a imagem que lembro mesmo era que esse complexo, que ficaria no miolo do quarteirão, seria acessado por uma portinha, uma porta pequena, que ficaria ali onde fica a entrada do antigo supermercado extra. Não ficaria nem onde inclusive na vida acordada tem uma portinha, a do café que vende sopa. Ficaria mais para frente, mais ou menos no meio de onde tem o Extra.

Essa pequena porta, do tamanho da porta aqui da minha kit, avançaria para dentro do quarteirão e acessaria esse complexo. Aliás tem uma portinha bem nesse lugar, lembrei agora, uma que tem uma escadinha que sobe, acho que dá no andar superior do Extra. Me dá um pouco de medo. Parece meio baldia, com possíveis seres baldios.

Mas aqui era tudo, mas tuuuuuudo de bom mesmo, inclusive isso de uma pequena e discreta porta ter essa coisa quase mágica de dar para esse complexo tão legal.

Aí nesse ponto fico pensando que chance eu teria de vir morar ali, concluo que é nenhuma e sigo desanimada e vem a cena final.

Estou… nossa, as cenas que envolviam o estilista estão quase vindo na minha cabeça. Eu estava ajundando ele. Mas não com as roupas exatamente. Mas então eu voltei ali para um ambiente que não era o ateliêr, mas era ligado ao estilista e ali está ele, tem mais gente, um grupo, e eu estou diante de uma estante, algo de ar doméstico, apesar de todo esse contexto de loja e atelier, e nas prateleiras de madeira dessa estante que está no meio do lugar, não está contra uma parede, como de costume, estão pilhas de mantas. São mantas de cores meio azuis e coloridas, que nada tem a ver com o trabalho do estilista. E num gesto meio desajeitado, eu empurro uma das pilhas que cai no chão.

Aqui é bem enigmático simbolicamente.

As mantas ocupavam toda as prateleiras dessa estante. Estavam bem dobradas e bem empilhadas. No que eu derrubo, acho que não todas as prateleiras, apenas umas duas, fica algo lógico de que eu sei como arrumar aquilo de volta muito direitinho, na verdade não isso, seria como se não estivesse arrumado direito. Mas estava. Mas eu me ponho a arrumar a pilha de mantas como se não estivesse arrumada direito, e nesse momento, não estaria. Não seria como se eu estivesse ali forçando uma arrumação desnecessária, seria como se de fato, naquele instante, a minha arrumação fosse melhorar aquilo e de fato iria, pois, como penso muito tristemente:

– Sou ótima em arrumar coisas. Se eu começar a arrumar tudo aqui, talvez o estilista me deixe ficar morando aqui, posso trabalhar arrumando as coisas.

Mas é um triste, triste pensamento.

Vou na direção das roupas nem que não veja como.








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