O LUGAR PERFUMADO

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Fiquei com um pouco de medo desse sonho mas depois vi um sentido bom.

Estou ao ar livre, muito bem vestida, o que em si já é algo bom, em uma coisa meio evento que parece ser um show de rock, mas numa escala muito pequena e fora da “realidade”, bo sentido que que não tem nada a ver com a configuração de um show de rock da vida acordada.

Há uma fila de cadeiras de plástico dessas bem vagabundas no meio da rua, nem muitas, umas 20, e eu estou com um grupo que não fica identificado, mas é um grupo amigo, e deixamos nossas coisas nessas cadeiras e nos afastamos uns 20 metros ali no meio da rua mesmo para ver o tal objeto do evento, que não chega a tomar forma, mas como disse, parece ser algo de música. Estou feliz e animada e quando estou ali com o grupo vendo a tal coisa, me cai a ficha de que deixei minha bolsa ali nas cadeiras, em parte porquê parecia que todo mundo estava fazendo isso e era seguro, mas agora percebo que as pessoas deixaram casacos e outras coisas nas cadeiras, mas bolsa mesmo ninguém deixou, só eu.

Vejo as outras garotas com suas bolsas.

Não posso deixar isso para depois, tenho que pegar minha bolsa e ficar com ela, daí sim verei o show ou seja o que for.

Volto então para a fileira de cadeiras, tudo muito pertinho, coisa de passos e olho ali nos assentos de plástico preto e não localizo minha bolsa, que seria uma bolsa que no sonho acredito existir na vida acordada mas não existe. Seria uma versão grande de uma bolsinha de festa da minha avó, ou melhor, seria uma versão grande de uma bolsinha de festa da minha avó que no sonho me parece que exista mas não existe. Uma bolsa com esse fecho antigo, preta com brilhos de strass. Não existe essa bolsa.

Fico bem nervosa ao ver que ela não está onde deixei. Entro num lugar coberto que fazia parte do tal evento, seria um lugar de apoio ao tal evento, Lá há uma figura masculina, um rapaz jovem e magro, que tem um ar muito bom e inteligente.

– Por favor, deixei minha bolsa ali com as coisas do meu grupo, eu estou com o grupo tal.

Essa identificação como fazendo parte do grupo tal era importante para mostrar que a bolsa não era um item perdido do nada, era como se eu, e a bolsa fizessemos parte de uma excursão.

O rapaz, que está ali meio de faxineiro, mas tem um ar diferenciado, me olha e me diz:

– Ah, a bolsa foi levada para o lugar perfumado.

A frase não era exatamente assim, mas o sentido seria de que a bolsa, ali deixada, como algo perdido sem dono, havia sido levada para um tal lugar perfumado, que era para onde eram encaminhadas as coisas achadas que pareciam não ter dono.

Fico olhando para ele absorvendo a informação. Então eu teria que ir até esse tal lugar perfumado, onde aparentemente a bolsa estava segura.

Esse lugar perfumado era um lugar ali do qual eu tinha uma certa noção, mas não muita.

Saio desse lugar coberto e tem duas figuras masculinas ali fora que tem uma certa relação com esse evento e que eu vejo como figuras de autoridade. O rapaz que informou antes, era um humilde faxineiro, mesmo que irradiasse algo forte e bom. Essas outras duas figuras masculinas eram pessoas que tinham um ar de criativos descolados importantes, mas já não irradiavam algo bom.

Me dirijo ao primeiro deles. Não fica claro o que eu digo. Acho que pergunto a ele como posso chegar ao tal lugar perfumado. Acho que eu relato o que o rapaz com ar de faxineiro havia me dito sobre o paradeiro da bolsa, pois imediatamente, com um tom que eu só poderia descrever como “não bom”, esse descolado número 1 me diz:

– Não é nada disso. A bolsa deve ter sido levada para o depósito de lixo ou para… (aqui ele menciona outro lugar também não muito agradável).

–Mas ele me disse que estava no Lugar Perfumado. Então ele mentiu na cara dura?

O Descolado número 1 me olha com um riso meio mau.

– Claro, você não foi perguntar a ele parecendo…

Na verdade as palavras desse diálogo não ficam super definidas. Mas o Descolado número 1 sugere que eu, tenho ido perguntar sobre minha bolsa com um ar vulnerável e inocente, havia despertado os maus instintos do tal rapaz com ar de faxineiro e ele havia mentido para mim de propósito de pura maldade.

Esses Descolados, pois mesmo nesse primeiro instante tenho consciência de serem dois, e são uma dupla por quem tenho certa admiração, parecem serem mais espertos que eu, então acredito neles.

Então tenho que procurar no Depósito de Lixo e nesse tal outro lugar, penso.

Não sei como ir até lá, mas tenho uma certeza íntima de que o segundo Descolado é meu amigo, talvez até gote de mim romanticamente, e com certeza irá me ajudar, então entro no carro, no banco do passageiro, no qual ele também estava entrando, enquanto combina coisa de trabalho com o Descolado 1 e digo:

- Não sei como chegar no Depósito de Lixo, onde fica?

Minha intenção e aliás, minha crença é de que ele se importa comigo e vai se oferecer para me levar,

Não estou tentando manipulá-lo, eu acho mesmo isso.

Ele finalmente entra no carro e nesse momento que eu, apesar de já conhecê-lo, posso ver como ele é pela primeira vez. Ele é um homem jovem que lembra o Alê Oshiro, com cabelo cacheado preto cheio e tiara, coisa que acho horrível e dá um banho de água gelada nas minhas expectativas, pois me olha meio ironicamentre e me diz:

– Ah, tenho certeza de que você é perfeitamente capaz de encontrar sozinha.

Ele também não é meu amigo.

Agora escrevendo o sonho, o que me parece é que devo confiar no rapaz humilde não descolado que irradiava uma coisa boa. Minha bolsa foi levada para um bom lugar, o Lugar Perfumado. Está segura lá. E é lá que eu devo procurar, não no Drpósito de Lixo ou no outro lugar de dejetos e despejos.




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