{18 de maior de 2026}
Estou tão, mas tão crente de que é impossível que esteja fazendo a coisa certa, que é uma benção ter sonhos meigos e auspiciosos como esse.
Dentro da casa da Gregório, que jamais havia sido vendida.
A casa é diferente. No sonho não chego a ter consciência disso. Acho que é até um dado para o entendimento do sonho. Nunca gostei da Gregório. Casa de arquiteto. Sem alma, sem beleza real. Não tinha flores, só vegetação pontuda.
A casa é térrea, grande, sem paredes internas, quase como um loft e o que mais marca no sonho de um jeito muito bom: de madeira. Não sei se a casa era de madeira, mas todo o revestimento interno era.
Eu via o teto com os ripados de uma madeira castanha avermelhada de vibe muito rica, as paredes com ripados da mesma madeira, não era aquele ripado de casa européia antiga, que eu acho lindo, mas um de ar mais moderno mas não modernoso.
Estou sentada numa cadeira rente à parede. A casa está cheia de um grupo jovem e vibrante de amigos mas tem uns familiares e a situação seria a seguinte.
A Diana Schüler estaria alugando a casa com o Mário. Os dois iriam morar lá.
A casa pertencia à minha família, aos meus pais, mas somente minha mãe estava presente, oscilando entre ser presente ali na cena ou apenas no sonho.
A transação está praticamente fechada. A Dix está ali olhando a casa e do lado de fora, sendo que essa planta não bate com a da Gregório, tem uma lateral aberta ao longo da casa toda, e nessa lateral estão vário amigos e entre eles o Mário, que me chama a atenção por estar magro, alto e muito bonito, experimentando uma nova bike ali nesse pedaço da casa, ao qual vejo por ter yma dessas grande aberturas de passagem e ser bem ao lado de onde estou sentada.
Estou feliz. Olho para a Gregório e acho linda. Me pergunto agora qual o sentido de ser a Gregório já que a casa era diferente em tudo? Mas diferente para melhor.
Estou feliz com a Gregório ser tão linda, vida e legal, feliz com a Dix estar alugando para morar com seu amor da vida, o Mário, feliz por eles estarem ganhando bem a ponto de poderem alugar a casa e feliz do Mário estar bonito e da Dix ter um namorado bonito.
Nossa, quase que esqueço um detalhe muito forte. A Dix havia acabado de ser despedida. Isso e preocupa um pouco mas vendo a alegria dela e que isso não afeta a decisão deles de alugar a casa, concluo que não é o fim do mundo isso dela ter perdido o emprego.
Não tendo mais necessidade de fazer nada, minha atenção começa a ir mais e mais para a casa. Penso em dizer para minha mãe:
– Olha, ele vão pagar aluguel, tá.
Mais um dinheito entrando para ela, o que me deixa também feliz. Não sei se ela não estaria achando que seria um aluguel de amizade. Não, eles tinham vindo com uma proposta séria.
Me levanto da cadeira e começo a olhar a casa, essa excelente propriedade.
As madeiras fortes e viçosas. A disposição do interior da casa, ampla sem ser entulhada. O quanto eu me sentia bem ali. E nisso cheguei na área que seria mais a sala de visita e copa. Não tinha paredes, como disse. Mas engraçado que não chego a pensar que a casa seria um loft. Mas tecnicamente era.
A minha direita tem uns sofás e uns armários. Os armários são desse estilo vintage que encosta na parede e tem compartimentos abertos e fechados. Atualmente se promove uma versão disso que são apenas tábuas retas sem nada, mas esses armários vintage, tinham detalhes e portinhas.
Nesse pedaço-sala, que tem os sofás e esses armários, os armários já tem isso de estarem revestidos de contact. Eu reparo nisso mas esse detalhe não chega a tirar meu foco do encantamento com a casa.
Mas mais para a esquerda, dividindo o espaço em duas partes, vindo na minha direção na longitudinal, havia um armário maior, do mesmo estilo, mas sem estar contra uma parede, que seria o armário da copa, pois no lado esquerdo dessa área diante da qual me encontro, e que seria o fundo ali da casa, estaria a copa.
E nesse momento o fato de que todo, todo o armário estava também coberto com contact, se torna saliente.
A nível de simbologia, me chama a atenção isso que já disse, de que o sonho situa essa coisa toda legal e inusitada, pois era a Dix que estava indo morar ali, mas ao mesmo tempo a casa me pertencia, não era aquela clássica coisa de estar cobiçando algo que não era meu, e em momento nenhum eu mesma desejo morar lá, e isso de que o único elemento que não gosto em meio a aquele contexto todo vida, eram aqueles bons armários revestidos de contact. Ficava vago quem havia feito isso. A casa não vinha sendo habitada por nós. Não estava estabelecido que seria uma casa de aluguel, como a Martiniano. Muito levemente ficava como se a casa tivesse sim inquilinos anteriores, mas algo informal.
– E eles tiveram todo esse trabalho de revestir os armários com contact, porquê está meio que na moda. Fica horrível, Não importa o quanto esteja bem feito, é umaarmário revestido com um plástico que imita fórmica que imita madeira.
Nem estava tão bem feito, eu via umas pontas levantadas.
Era um contact com padrão de um marrom mais para o escuro com uns veios pretos.
Se fosse a fórmica ainda teria uma dignidade, mas ali, era bem isso, uma trend que não tem nada de valor. Só fica bom em vídeo e nas primeiras semanas.
– Tenho que tirar tudo isso antes que a Dix entre no imóvel, penso. Vai dar um trabalhão, mas não quero isso aqui.
Eu não queria isso na minha casa super vida. O sonho é mais sobre isso do que sobre qualquer outra coisa, me parece. Pois a Dix não estava reclamando.
Mas para mim era inconcebível . Uma das coisas que estava me dando uma sensação boa era pensar que a Dix iria cuidar e preservar bem a casa, e porisso tinha lógica na minha cabeça que seria o caso de entregar para ela a casa como eu na sua melhor versão, e não era com aqueles grandes armários revestidos de plástico.