{16 de maio de 2026}
Foi uma semana muito de pensamentos desse tipo, de que eu deveria estar tendo um negócio de sucesso.
Ante que eu acabe desvirtuando a sensação do sonho por causa disso que me ocorreu acordada, já deixo registrado: o tempo todo havia uma sensação 100% de encantamento.
Mas quando lembrei dele do nada, quando estava faxinando atrás da cama, me ocorreu o seguinte.
Essa ênfase toda no nome da cidade, Idaho. E aquele comentário do Leo King bem marcante, a respeito de sonhos genéricos, sonhos no sentido que todo mundo dá, de desejos, eu nunca uso esse sentido, para mim sonho é o que a gente sonha dormindo, mas o Leo King se referia a pessoas que tem sonhos genéricos, como por exemplo, querer morar em Idaho, porquê “todo mundo está morando em Idaho”. Pessoas que querem fazer coisas apenas porquê acham que todo mundo está fazendo.
Até quase que procurei Idaho no google maps.
E tem outra coisa da vida acordada que compõe esse sonho e é mega, mega interessante isso de como o subconsciente, que deveria se chama supraconsciente, pois de sub não tem nada, se apropria de coisas da vida acordada para compor seus recados em código.
Teve esse rapaz inglês, com cara de 20 anos que parece 15, com um nome claramente fake, com dois os, tipo Oobah, ninguém chama Ooba, ele deve chamar Peter ou John, que talvez tenha feito o seguinte. Talvez, pois agora tudo é forjável. Eu acho que ele não fez, ele forjou que fez, ou não fez tanto assim, pois ele se tornou conhecido por fazer esse tipo de coisa em série e não me parece que alguém tenha tampo hábil de fazer tanta coisa desse tipo em série, dá muito trabalho e exige tempo. Pois bem. Mas ele, segundo ele mesmo, teria colocado uma avaliação fake no Trip Advisor, elogiando um restaurante fictício, nesses termos que tem apelo atualmente, falar coisa bem pretensiosas usando terminhos bestas. Depois de fazer isso algumas vezes, ele teria começado a receber contatos interessados em ir nesse restaurante e então ele montou um restaurante fake no quintal da casa dele, a única coisa que dá para ter certeza de que era assim mesmo era a casa dele, que aparece no vídeo e é um sobradinho meio antigo com um maravilhoso e enorme quintal de grama nos fundos, na verdade poderia ser maravilhoso, se não estivesse tão mal cuidado ainda por cima, e ele montou ali algo propositadamente precário, botou um galinheiro com galinhas, umas mesinhas e fez um evento gratuito, no qual ele serviu comida congelada das mais baratas, tudo revestido do mesmo discursos pretensioso cheio de terminhos bestas, para provar que é isso que as pessoas consomem, discursos pretensiosos com terminhos bestas, e como ele mesmo diz num trecho do vídeo que fez documentando isso, ?ninguém confia mais no que sente”.
Precisa dizer a elas o que sentem.
Independente do quanto isso foi assim mesmo ou em parte foi forjado, ele demonstra o ponto de uma maneira brilhante e teve minha admiração.
Isso tudo vida acordada.
De cara estou no interior da casa desse rapaz, o Ooba, vou chamar assim, ao lado dele, encostados num passaprato, num evento que ele estaria dando.
Ele teria ampliado de restaurante para algo que misturava restaurante e uma exposição de coisas artísticas feitas por ele e sua esposa, dentro da casa dele, que não era como a do vídeo da vida acordada, e sim uma ampla casa meio antiga.
Não era exatamente o contexto da vida acordada. O rapaz seria o mesmo, mas o que ele estava fazendo havia se tornado menos fake, pois suas criações artísticas eram genuínas.
Mesmo fisicamente não é o mesmo, e no sonho eu até estranho isso, o rapaz da vida acordada era mais claro e tinha cabelo oxigenado, esse é da mesma altura, parece um pouco menos com feições de adolescente, tem um cabelo meio laranja. Mas eu penso comigo que essa falta de aparência definida tem a ver com isso de que a prórpia vida dele não tem uma definição definida. Vai mudando de definição, por exemplo, o lance de restaurante dele agora era um restaurante-galeria de arte -oja.
Tem uma hora ele, ao meu lado, abre uns pacotes dos salgadinhos mais fuleiros, tipo Elma Chips, e coloca em tacinhas de madeira para servir aos visitantes da exposição como se fosse algo muito refinado, como ele fez no restaurante fake da vida acordada, mas esse é o único elemento desse tipo. O público agora até sabe disso em parte, mas ele conseguiu fazer isso parecer algo “cool”, fazer com que o público ache graça em estar ali participando do restaurante farsa dele. Como ele havia se tornado uma espécie de celebridade, o mesmo salgadinho que poderia fazer a pessoa se sentir enganada e vítima de trapaça agora era motivo de fazer a pessoa se sentir cool por tabela, por estar ali participando de algo que havia se tornado célebre. Fico admirando essa capacidade dele e pensando no quanto eu sou incapaz disso. A casa é verdadeiramente linda e as coisas que ele estaria expondo, que são o foco ali, a comida era só acessório, são legais mesmo, mesmo que não sejam o tipo de coisa que eu gosto. Mas não era arte fake, como tem bastante hoje em dia, a pessoas põe ali uma pedra pintada de vermelho e aquilo é arte.
A casa estava limpa, coisa que no vídeo da vida acordada não parecia, e muito bem decorada com as artes em meio à decoração que em si também era muito legal. Resumindo, não tinha nada ali que desse um sentido depreciativo. Na verdade ele havia conseguido fazer com que seu chamariz fake evoluísse para uma maneira de trazer público para uma exposição verdadeira.
Agora escrevendo noto similariedades com coisas que andaram chamando minha atenção nos vídeo que tenho visto. O cara que colocou vend machines na sua lavanderia, pois público lá ele já tinha. Uma outra coisa que me veio e agora não lembro mas deve voltar.
Então estou eu ali totalmente deslumbrada, olhando a exposição e admirando muito o rapaz, que está ao meu lado em dando uma atenção especial que beira o galanteio.
No começo, nossa interação gira ao redor de uma embalagem tetra pak de leite, e sim, esse era o outro elemento da vida acordada que o sonho se apropriou. Eu vi um post do cara que teve a idéia de vender camisetas dentro de latas de metal, latas recicladas.
Esse tipo de coisa prova que eu não devo perder tempo tentando fazer minhas coisas comercializáveis pois não sou da mesma espécie que o público consumidor. Nunca que eu compraria uma roupa que viesse dentro de uma lata. Que falta de glamour.
Ah, e misturou isso com outra coisa de idéia de negócio que andou chamando minha atenção de maneira meio “nossa, porquê eu não penso esse tipo de coisa?” A marca de água, que essa sim é uma embalagem tetra pak de cartolina , que não é vendida, é dada de graça mas tem anúncios na embalagem, a água é bancada pelos anunciantes.
Novamente, o que tica atraente sendo anunciado numa embalagem de água? Só encanador, eletricista.
Mas no momento inicial do sonho, a cena gira ao redor de uma embalagem tetra pak de cartotlna, onde o Ooba havia colocado um anúncio ou uma info a seu respeito, mais isso na verdade, com seu nome, sua definição e seu endereço, como uma cartão de visita, aliás no vídeo do tetra pak o rapaz diz isso mesmo, que o cartãoé a embalagem.
E nessa info na embalagem do tetra pak constava ali que a casa do Ooba, ou seu negócio, pois eram o mesmo, se situava na cidade de Idaho.
– Idaho, eu digo.
Tenho que falar devagar para ele entender meu inglês, que é dito em português.
Ooba se comunica comigo através de olhares e sorrisos significativos, mas não lembro dele falar em nenhum momento. Estou crente que rola algo entre nós.
– Sim, continuo, tendo me sentido respondida pelos olhares dele, está bem claro aqui que você mora em Idaho. Idaho, bem longe de mim.
No que digo isso sinto tristeza.
Eu havia vindo para Idaho com uma excursão e iria logo voltar para o Brasil, e provavelmente nunca, nunca mais retornaria ali. E nada daquio era meu. Nem a casa, nem a expo, enm o Ooba.
Acho que nesse momento ele serve os salgadinhos nas cumbucas de madeira, iguais, às que minha mãe tinha, e serve para o público que enche sua casa.
No que observo ele fazendo isso, lembro de como ele chegou aqui, com seu restaurante fake, e o admiro ainda mais.
Ele então, como uma espécie de privilégio, me conduz até uma sala. Paramos na entrada da sala, que está de janelas fechadas e meio escura. Deve ser atelier dele. A sala está cheia de criações do Ooba. Ele é esse tipo de artista de fazer coisas doidas. Por exemplo, no centro da sala tem uma pequena área aberta e no meio dela, um manequim de costura baixo, não alto como esse meu, vestido com um vestido do tempo de Maria Antonieta, com anquinhas largas e corpete, mas todo de papel.
Não é o tipo de coisa que gosto de fazer nem o que mais gosto de admirar, mas é legal.
Tem criatividade real. Então eu me viro e emocionada digo a frase mais forte desse sonho todo:
– Olha, desde o começo que olhei suas coisas, pensei: as coisas desse cara são legais.
Não sei porquê acho que é caso de dizer isso. Se tinha algo que o Ooba não era necessitado era de com confirmação, a vida toda dele era uma enorme confirmação.
Mas essa frase me sai do coração. Não estou dizendo para agradar ou incentivar.
Ele continua me olhando e sorrindo. Esse sonho é menos longo do que parecia. Pois nesse ponto a minha excursão se prepara para ir embora, pois a exposição, como costuma ser no estrangeiro, tem hora para acabar.
Quando voltamos para a parte da casa na qual estávamos antes dele ir me mostrar seu atelier, surpresa. Toda a exposição foi desmontada e a casa recomposta impecável. Essa também é outra cena muito forte do sonho.
Me impressiona mais que a exposição em si até
– Como, como conseguiram arrumar tudo de volta tão rápido e com tanta perfeição, pois a casa estava brilhando. Aliás, dava para ver mais ainda o que era a decoração da casa mesmo, que era super legal e parecia um pouco o estilo aqui da minha kit. Algo eclético sem cair em bizarrices.
Andando ali rumo a saída, com meu grupo, não consigo pensar outra coisa, como, como conseguiram tão rápido, e mais ainda, essa façanha, que me impressiona mais do que a exposição ou a trajetória do Ooba em si, porquê mesmo sem ter pensado nisso conscientemente, se tinha algo ali que poderia me dar aflição ou ser motivo de pensamentos desagradáveis, seria o transtorno que a exposição estaria causando na casa na qual Ooba morava com sua esposa e filhos. Esse tipo de coisa tem muito apelo para mim, não consigo mais cogitar filmar aqui na kit por causa da bagunça e sujeira que faz.
Então vou andando para a saída, pensando nisso e em segundo plano triste porquê essa casa não era minha e eu nunca mais veria o Ooba.
A admiração pela casa cresce a medida que, para se chegar na rua, vamos cruzando e ela tem ambiente lindo após ambiente lindo. A sala onde havia sido montada a exposição, que era grande, como a sala da Lapa, era toda em amarelo, mas agora passamos por uma sala do mesmo tamanho, com uma decoração linda, com paredes numa vermelho meio terroso.
– Nossa, mas a casa é enorme, eu penso.
E em seguida estamos numa sala com ar de garagem, com uma cama de casal antiga dessas parecendo de realeza, que tem uma base de madeirta entalhada pesada, com lindas cobertas e sobre ela um bebê dormindo.
– É o quarto deles, digo para a pessoa da minha excursão atrás de mim.
– Acho que sim, ela responde. Deve ser o filho deles.
Fico pensando comigo que era muita confiança deixar que um grupo de desconhecidos passasse pela cama onde havia o bebê filho deles dormindo sozinho.
No que entravamos nessa sala, tinha-se que contornar a cama, subir por uma pequena escada de cimento cru ao lado da cama, que não tinha criado mudo, e essa escadinha dava para um patamar que passava por trás da cabeceira da cama, um desnível mesmo, e dava numa porta. Parecia uma garagem adaptada, outra coisa altamente criativa ali.
E nisso vem, ao contrário do que havia dito, que não tinha elementos depreciativos, teve sim, um sutil e delicado, mas dá para achar que é aleatório?
Pois no chão, logo depois da porta que tinha ao final desse desnível que passava atrás da cabeceira da cana, estava um cocô.
Imediatamente acho que é cocô do bebê.
Em nenhum momento surgiu nenhum pet ali. Nem que eu tivesse chado a pensar nisso, mas na hora associo o cocô ao nenê, e penso algo até meio estranho.
– Sim, se você tem bebês, é de se esperar que tenha cocôs no chão.
Mas bebês não fazem cocô no chão.
Passamos pelo corredor lateral, agora por fora da casa e pela janela vejo mais ambientes grande e lindamente decorados..
– Nossa, mas essa casa é gigante. Quanto acha que tem?pergunto para a mesma pessoa ao meu lado, um vulto indistinto. Uns 900 metros?
Foi isso que disse sobre a casa da Lú. De novo, me pergunto se isso teria a ver.
Finalmente estamos na parte da frente da casa, que tem uma pequena área ajardinada mas meio mato selvagem. Muito vagamente há ali a perua da nossa excursão. Pessoas estão embarcando. Aguardo ali a uns passos de distância, por acaso ao lado do Ooba, que está frio, indiferente e me ignorando completamente.
Tenho esse outro pensamento que também é um dos momentos fortes do sonho.
– Toda aquela interação dele que parecia prestes a virar algo mais era atuação, fazia parte do show. Terminou a exposição, ele encerra essa coisa melosa para meu lado e me trata como o que sou de fato, uma estranha.
Nisso vejo a esposa dele, que fisicamente lembra a Nathalia, a síndica da Martiniano, muito jovem e mignon, ali organizando o término da exposição.
Ela que era a parceira dele e a presença invisível no evento todo, pois quanto eu saio e vejo tudo novamente recomposto em sua forma perfeita, mesmo sem formular o pensamento conscientemente, sei que foi a esposa que fez isso.
Ver a esposa dele é a última ruptura naquela convincente impressão que eu tinha de que, de alguma forma que eu não concebia, pois ele morava em Idaho, eu e o Ooba estávamos prestes e destinados a nos tornar um casal. Olho para a esposa dele e tenho que confirmar para mim mesma, sim, é a esposa dele, ela existe, e é ela que ele ama.
Até fantasio o Ooba me dizendo a clássica frase dos maridos chavecadores:
– Amo muito a minha esposa.
E como disse, estou indo embora, deixando para trás tudo o que não era meu: a casa, a exposição, a trajetória e o próprio Ooba, em Idaho, como disse o LK, o lugar dos sonhos genéricos.