MAS ELA É CONTRA CORES TAMBÉM?

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Ontem dia de xixis bagunçados, estou muito desconfiada que seja a falta do filtro, pois desde segunda fiquei sem a água do filtro de barro, só com água mineral.

Primeiro uma longa parte com o A.S. altamente carinhoso e amoroso comigo. Até sento no colo dele e afundo a cabeça no peito dele.

Mas ontem foi um dia no qual pensei justo o contrário. No sonho eu via tudo se encaminhando para ficarmos juntos e eu… não super gostava.

Eu pensava assim:

– Mas eu vou setlle com ele, então?

Como o Leo King tinha dito, don’t settle.

Eu gosto do A.S. mas não amo ele como meu marido.

Tenho que aceitar isso.

Agora a parte mais fascinante e doida.

Estamos numa sala muito típica de alho como que uma escola, mas não de colégio, algo intermediário, mas tem ar de escola, não uma residência.

Essa sala, que é pequena, algo de uns 4 x 3 metros, está quase totalmente tomada por uma mesa retangular ao redor da qual se sentam umas 8 pessoas que teriam se reunido ali para tratar de um assunto comum. Era uma reunião.

A situação é difícil de explicar pois não se enquadra em nenhuma dinâmica da vida acordada, meio como os forecasts da San Tarot.

Essas pessoas, todos adultos, e serei minuciosa pois acho que é um retorno sobre a principal questão de ontem, sobre o que estou fazendo da minha vida, essas pessoas haviam marcado essa reunião meio que extracurricular pois justamente estavam tendo uma divergência com a diretora da escola, ou com a pessoa, a figura feminina que tinha maior autoridade ali.

No que começa a reunião, sendo que eu não estou exatamente como parte do grupo, e sim como uma espécie de visitante, tendo a Lú ao meu lado esquerdo e mais para a esquerda ainda a minha mãe, escuto os adultos, e é engraçado como eu não me identifico como “adulta” conversando sobre uma tal “ela”.

– Ela fez isso, ela falou isso.

Fica claro que o que ela havia feito e falado era motivo de preocupação ali entre o grupo, que se sentia ameaçado por essas atitudes dela, tanto que haviam marcado essa reunião justamente para se organizarem nesse sentido de reagir à “ela”.

Fico ali escutando um pouco e não sei o que, mas tem sim algo, me motiva a tomar uma atitude que eu quase abro mão de tomar. Me dirijo ao homem meio careca sentado na minha frente, que tinha acabado de falar com a mulher ao lado dele isso sobre “ela”.

– Por favor, poderia dizer exatamente quem seria essa "ela”? Não entendi e não estou sabendo.

Tem um levíssimo tom de repreensão ali no meu tom. Não faz o menor sentido, pois não havia intenção de ninguém em me ocultar nada, mas eu em parte sinto como se fosse uma falha o fato de que não estava sendo super esclarecido quem seria essa “ela”, como se todos tivessem obrigação de saber.

Minha posição ali de visitante, ou quase isso, não me dava direito de ficar tomando satisfações ou exigindo explicações sobre algo que era do conhecimento de todos, mas eu me outorgo esse direito.

O homem careca ligeiramente cheio de corpo reage sem nenhuma estranheza e numa frase que não deixou sua forma, em responde que ela era uma figura extremamente autoritária que aos poucos vinha instalando ali, sendo que esse “ali” ficava muito vago entre ser o mundo todo ou a escola, uma espécie de código politicamente correto para criações artísticas.

A escola parecia ser de Artes.

Era algo velado, subliminar, mas a tal mulher vinha fazendo discursos e dando razões e obtendo uma concordância passiva de que tal e tal coisa estariam vetadas em criações artísticas.

Ben. De vez em quando eu penso que a única razão para minha atividade artística a nível de Alma, parece ser que eu sou uma mantenedora da expressão artística sem nenhuma formatação do politicamente correto, pois sim, está acontecendo isso no mundo. Antes eram apenas trends criativos, mas movimentos como o Art Noveau, Art Decô, nem merecem o nome de trends. São movimentos artístico. Aí foram surgindo trends em publi e Artes Visuais, mas ainda eram trends. O que tem agora é formatação politicamente correta mesmo. Nem é trend. É formatação. Tudo tem que ter uma pessoa de cor. Essa pessoa de cor tem que ter cabelo não alisado. Não pode ser muito bonita. A combinação de cores tem que ser o mais asquerosa possível.

Enfim.

No que fica esclarecido isso, e no sonho, não sei como explicar, mas fica algo que não seria exatamente isso que noto no mundo, mesmo que a descrição técnica seja bem igual, o assunto muda.

Ao meu lado direito está sentada uma garota muito jovem, morena, de rabo de cavalo, ar positivo.

Do nada ela se interessa em ver e eu me interesso em mostrar os trabalhos da Lú.

Numa espécie de evolução ali do assunto da ameaça da formatação irreversível da criatividade, eu pego o caderno A3 que está com a Lú e começo a mostrar para a garota ao meu lado, apenas por quê estando eu entre a Lú e essa garota, fica mais fácil para mim.

– Veja os desenhos que a Lú fez, digo para a garota.

O assunto não seria exatamente os desenhos da Lú, mas criatividade em geral.

O caderno é uma caderno A3 na horizontal. Todas as páginas estão cobertas com ricos desenhos com lápis e lápis de cor.

A menina olha atentamente.

– E cada desenho é baseado num poema. A Lú fez um curso e eles iam dando poemas e coisas para fazer os desenhos, explico.

O desenho que funciona meio como capa é uma intrincada ilustração que fica algo não exatamente como aquela série de desenhos “Onde está o Wally?”, mas parecem ser pessoas, uma multidão de pessoas, num traço não realista, e todas as figuras estão pintadas em lápis de cor com muitas, muitas cores. Muito colorido mesmo.

Sem que eu lembre de uma frase nítida, a menina comenta algo que queria dizer que a tal “ela”, a formatadora, estava meio que desistimulando e reprovando o uso, na opinião dela, "excessivo de cores".

– Ela é contra cores também? eu pergunto.

A pergunta fica no ar. Acho que é nesse momento que eu explico melhor isso de que a Lú havia feito um curso e através dos poemas, realizado aqueles desenhos tão livres, tão cheios de vida.

É isso Guias. Vou aqui fazer meus desenhos.






MAS ELA É CONTRA CORES TAMBÉM?

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