{18 de fevereiro de 2022}
Essa frase é dita duas vezes com grande ênfase.
Estou aqui na kit, de pé ali junto da cozinha, meio não sei. Como se estivesse pensando no que faço agora, quando me vem na lembrança toda a parte da kit que eu nunca ia lá.
Essa imagem de uma parte da kit que ficava tão de lado que eu quase me esquecia da existência, já surgiu em sonhos e sei que se refere ao fluxo do lado esquerdo, que até pouco tempo na minha vida era algo que foi tão esquecido que era quase como se não existisse.
Mas aqui no sonho lembro sim de ter ido nessa parte meio depósito da kit, que se não me engano tinha até uma parte aberta.
– Como posso ter deixado tudo isso de lado? É muito legal lá.
Então resolvo ir lá dar uma espiada.
Haveria uma porta meio de metal, que eu passava os dias tão sem prestar atenção que mal a enxergava.
Mas a porta estava ali.
Então vou até a porta e passo por ela.
Dou no lugar que me lembro, uma espécie de páteo interno meio parecido com a garagem do vovô.
Está bem mais limpo que nos sonhos anteriores com isso.
Fico olhando e pensando que tenho que decorar essa parte da casa e usar.
Vai ficar lindo e agradável.
Tem um pequeno pedaço de chão meio nicho, encantador para colocar uma cadeira.
No que estou nesses planos reparo que vai muito além disso.
Tem quartos.
Nossa, não sabia disso. Quartos em sequência. Começo a olhar ali. É quase outra casa dentro da minha casa. Então chego no último quarto e ... é um quarto mobiliado e tudo e tem uma escrivaninha e nela está sentada uma moça de ar meio hostil.
– Oi, digo eu.
Ela me olha meio hostil.
– Quem é você? eu pergunto.
Não lembro dessa conversa direito, mas algo que ela diz eu respondo dizendo com grande autoridade:
– Eu sou a dona da casa.
Achava que isso teria impacto sobre ela, já que claramente ela estava meio que morando ali sem minha permissão.
Aliás momentos antes, ao ver os quartos, todos eles mobilados, me ocorre mesmo essa possibilidade, pois haviam outras entradas para aquela parte da casa e pessoas poderiam estar morando ali sem que eu nem ficasse sabendo e justamente se revela sendo o caso.
A moça não se abala a mínima com o que eu digo e até parece ficar mais hostil.
Nisso acho que chega uma amiga dela que ocupa o outro quarto, o quarto que também está na casa da qual sou dona.
Ela mal me olha. Ambas tem um ar de moças meio tipo aqui do Centro mesmo, que são desse jeito hostil e meio maloquentas.
Então começa a situação de que tem muita gente morando ali, eles tipo tomaram o lugar.
Esqueci como que emenda na seguinte cena.
Vou me deixando levar pois estou encantada com o lugar, se bem que vá aos poucos me dando conta de que ele está tão ocupado que na prática não sinto autoridade nenhuma sobre ele.
Chegamos num páteo interno que não parece ser aquele primeiro.
E nisso a Dilma, a Dilma mesmo, usando um taier vermelho, está ali fazendo tipo um desses forecasts que tanto assisto, mas de pé e andando de lá para cá.
Ela vai descrevendo um projeto de filmagem que alguém estaria fazendo, dá detalhes, super bate com o projeto que no sonho eu estaria fazendo mas que acho que não chega a ser o AAN.
Seguindo nisso de ficar meio que mediunizando ali, a Dilma diz que o projeto tinha o nome de “O Ensaio”.
Nesse momento estou também de pé andando ali nesse páteo que nem está muito cheio e com um sorriso misterioso digo:
- Não, não chama.
A Dilma me olha surpresa. Tudo até então que ela tinha dito tinha batido, mas o nome do projeto não era “O Ensaio”. Isso não chega a invalidar a mediunidade dela, que tinha descrito o que eu estava fazendo em detalhes.
Não super gosto da minha atitude... Estou sentindo um prazer meio vaidoso de dizer essa coisa misteriosa... Quando tinha falado que era a dona da casa, não tinha vaidade nem arrogância nisso, mesmo eu esperando que tivesse impacto na menina.
Mas aqui me sinto sim um pouco me exibindo. Mas light.
Mas como eu esperava, a Dilma passa a me dar grande importância e me diz para sentar numa mesa ali que ela vai tirar cartas para mim.
Eu sento e ela rapidamente começa a me dar bolos de cartas para eu “cortar”.
Vou cortando e então ela me manda contar quantas cartas ficaram na pilha enquanto faz o mesmo com outra pilha.
Ah, tá. Quando ela me chama para tirar cartas algo nela desperta uma onda de grande carinho por ela e penso em pedir para dar um abraço. Nem gosto de PT mas sinto carinho por ela. Mas não digo nada.
Dilma conta cartas com a rapidez de um funcionaria de cassino.
Eu vou contando devagar e provavelmente com vários erros.
– Deu 20, eu digo.
Dilma então...
Nossa péra.
Acho que ela diz algo que não fica claro e nisso ela meio que fala que quer me mostrar algo e tira um pote de vidro de conserva bem grande que tem dentro um pé cortado. Ou dois.
Aquilo me assusta.
Percebendo meu medo ela diz:
– Calma, foi ela mesma que se dispôs a isso.
E prossegue:
– Como você acha que eu consegui esse olho sequelado?
A Dilma tinha no olho uma espécie de mancha, como um ferimento ali no globo.
Fica claro que ela tinha se submetido a isso como uma espécie de ritual.
Ritual para o demônio, é o que penso.
O que é aquilo ali? Estarão tentando me levar para algo do demo?
Me levanto e digo:
– Olha, não estou à vontade com isso, vou embora.
Tenho medo que me detenham mas ninguém me impede.
A Dilma diz algo para apaziguar mas nem tenta me convencer, muito menos me forçar.
Saio depressa do páteo. Logo estou de volta pela porta que liga das duas partes da casa, que passou a ser uma porta numa cozinha.
Saio pela porta.
Então fecho a porta, que não é uma porta que chega ao chão, e passo todas as tramelas que encontro.
– Porisso que ficou esse vai e vem nessa parte da casa, porquê a porta nunca foi trancada.
Mas logo percebo que são tramelas super fáceis de abrir pelo outro lado. Minha idéia era pelo menos dar uma contida ali naquela situação, até pensar no que fazer. E mostrar que o lugar era meu.
O que fazer, penso. Eles tomaram essa parte da casa e são muitos.
Como tirar eles dali?
Logo um rapaz passa pela porta vindo do lado de lá.
Está com uma garota e conversa com ela sem me dar a menor importância.
Não sei como que rola de trocarmos umas palavras e eu dizer, agora já quase brava:
– Eu sou a dona da casa.
Mas ele não liga a mínima.
Vou voltando para minha parte da casa chegando a pensar em vender o apartamento para não ter que lidar com o que seria uma empreitada difícil e desgastante, de recuperar para mim o que era a minha propriedade, e que essas pessoas tinham simplesmente invadido. Sim, era possível mas iria causar confronto e desgaste. E ali no sonho não estou encarando essa empreitada.
Volto para registrar a parte mais marcante do sonho e que se passou toda dentro da minha cabeça. Quando me levanto assustada para ir embora achando que a Dilma seria de algum culto satânico, mas ao mesmo tempo meio que cogitando que podia não ser, pois ninguém ali foi mau comigo ou me prendeu e eu senti até carinho por ela, passa pela minha cabeça o seguinte:
Que muito provavelmente a Dilma teria feito esse pacto ou acordo de permitir que seu olho fosse “sequelado” como ela mesma disse, e em troca tinha conseguido se fazer presidente. Quem seria ela sem esse “pacto”? E me passa muito ao fundo da mente, como um peixe nadando em águas escuras, o que eu ganharia se fizesse o mesmo, se me submetesse a esse “pacto”.