{17 de março de 2025}
Por causa desse sonho vou escrever um outro sonho recente que deixei de lado porquê me sinto até culpada de gastar tanto tempo escrevendo sonhos, mesmo achando que se Deus me manda sonhos assim, é porquê ele quer que eu registre.
Então esse primeiro acho que foi semana passada.
Minha mãe leva eu e minha irmã na escola. Tem algo super tênue sobre essa escola. Não era faculdade. Era escola. Não era nenhuma escola da vida acordada. Eu não estava achando nem bom nem ruim ir para a escola. Até mais para achar bom.
Tem algo rolando entre eu e minha mãe que também não adquire conotação de nada. Nem de briga, nem de conversa. Esse algo vai sendo encerrado a medida que nos aproximamos da escola e meio que por causa desse algo, como se fosse para me dar apoio, minha irmã, que está sentada ao meu lado direito, segura na minha mão.
Eu fico contente e penso:
– Então ela quer contato comigo.
Super, mas super vagamente, parece que eu e minha irmã temos uns 17 anos e estamos com aquele uniforme do Colégio Cristo Rei que era até bonito.
Então descemos para a escola.
Inclinada na janela do carro, digo algo para minha mãe que encerra de vez quele algo que estava rolando. Novamente, não tem o menor tom de briga.
Quase ia esquecendo. Antes que o carro estacione, e não sei se antes ou depois da minha irmã pegar na minha mão, em decorrência desse algo com minha mãe que eu, e isso é importante ressaltar, eu estava conseguindo resolver, eu me sinto livre. Eu me sinto quase uma nova pessoa. Me vem na imaginação a figura daquela atriz, ó meu Deus. Ela fez aquele filme comercial até que legalzinho da casa de vidro. Deixa eu ver. Leele Sobieski. Eu nunca nem jamais soube o nome dela, porquê sonhar com ela? Mas eu via a imagem dela na minha mente e ela tinha cabelos loiros compridos mas ondulados, com belos cachos, na vida acordada o cabelo dela é liso toda vida. e ela mexia no cabelo contente e eu, com essa imagem na mente, pensava assim:
– Eu nunca mais vou cortar o meu cabelo. Agora vou usar o cabelo sempre assim.
Me referia aos cachos. Acho essa imagem super, super intrigante porquê… eu nunca tive nem nunca terei cabelo como o dela. E foi esse elemento que foi reproduzido de forma espelhada no sonho de hoje. Mas seguindo.
Quando descemos na escola, estou sem a Lú. A escola tem ar de faculdade, uns corredores meio de cimento, tudo cinza, e eu estou bem focada em estudar e tals e fazia parte do procedimento ir até umas cadeiras que tinha ali no saguão, como se fosse uma sala de espera mesmo, e eu tinha uma cadeira minha onde poderia colocar minhas coisas.
Como nos filmes americanos os alunos colocam suas coisas nos seu lockets.
Chego nessas cadeiras, acho que coloco minhas coisas sobre a minha determinada cadeira e tem duas garotas ali com caras de garotas do fundão da classe, acho que não importa em que era seja das salas de aula, o Fundão vai sempre existir e ser habitado pelo mesmo tipo de alunos. Eu evidentemente era aluna da primeira fileira.
Uma das meninas está especialmente brava e agressiva comigo e me indica o motivo:
Sobre a cadeira dela estava uma pilha, quase um bloco, de roupas do meu pai.
Ela até tinha razão de estar brava. Mas eu logo me prontifico a tirar as coisas da cadeira dela e só reforçando, eram cadeiras de deixar as coisas, não cadeira de assistir a aula.
A outra amiga dela, que está bem menos hostil e parece sapatão, bem me ajudar, pois no que eu tento levantar aquele bloco compacto de ternos do meu pai, ele se revela muito mais pesado do que parecia, por estar molhado. Com a ajuda da amiga menos brava da brava, deslocamos a pilha de roupas do meu pai para em cima de um patamar que tem ali perto, de cimento, e a situação está temporariamente resolvida, pois a cadeira está desocupada. As duas meninas vão embora e eu, que estava ali pensando em o que fazer com as roupas do meu pai, tenho um momento de susto.
Tinha deixado minha bolsa aberta sobre a minha cadeira. Será que minha carteira vermelha da Temu está lá ainda? Será que a menina aproveitou para levar minha carteira? Será que a amiga se dispôs a me ajudar para me distrair enquanto a colega dela roubava minha carteira?
Mas o tempo todo em que essas coisas me passam pela cabeça, tenho a impressão de que está tudo bem e minha carteira da Temu está na bolsa da Temu.
Mas o sonho acaba antes que isso fique demonstrado.
E agora o sonho de hoje.
Ficou meio embaralhado.
Vamos lá, do jeito que lembro.
Há um banheiro de lajotinha branca, nenhum da vida acordada. Estou de pé, não estou usando o vaso, o que de cara já coloca o símbolo num contexto mais positivo do que se eu estivesse fazendo as necessidades, quando, ao observar super distraidamente o ralo que está sem tampa nenhuma ali no chão, eu vejo um verminho preto rastejando até ele. Seria um verme maior que uma minhoca e menor que uma lagarta, todo preto, que se desloca como vermes, não como cobras. Fico meio sem reação olhando aquilo, claro que não é nada agradável, acho que quero ter certeza do que o verme irá fazer, e ele entra no ralo.
– Então esse ralo tem vermes, penso. Tem que jogar água sanitária aí. Água sanitária mata tudo, desinfeta tudo, resolve tudo.
Vou até a sala acho que até no intuito de pegar a água sanitária e virar uma garrafa inteira naquele ralo, quando na sala está minha mãe, numa estranha mistura de minha mãe com a minha pessoa, não algo deformado, ela não era minha mãe da vida acordada totalmente e tinha algo ali que parecia eu, e a Lú.
Eu comento com elas que vi um verme preto entrando no ralo do banheiro, que tem que jogar água sanitária ali, e minha mãe tom a iniciativa de resolver o problema.
Ela vai até o banheiro, e instantes depois volta e…
Ai, até custa escrever. Ela segura na ponta do rabo de um rato morto. Um rato assim do tamanho de uma pomba, que tem sangue na barriga. Isso do sangue tem grande destaque no sonho. Eu mal consigo. Fico em pânico achando que ela vai vir jogar o bicho em mim. Ela está rindo e fazendo graça. Diz que encontrou isso dentro do ralo.
– Mãe, joga isso fora, é mega contagioso.
Ela então vai jogar o rato fora. O rato de fato sai fora de cena, mas… minha mãe tocou no rato.
– Ela está contaminada, eu penso. Nunca, nunca mais vou sequer chegar perto dela.
Fica essa coisa da minha mãe estar contaminada e assim encerra essa parte.
Péra.
Bom então. Eu tenho que ir de carro até ali do lado. A coisa do rato ainda está presente no sentido que penso nisso. Entro no carro da família que é dirigido pelo motorista da família.
Mas depois de uns 5 minutos de trajeto, já deveriamos ter chegado e nada. Percebo que o motorista está indo por estradas rurais de terra e logo entendo: ele é bandido e está roubando o carro. Não me passa pela cabeça que estivesse me sequestrando, tenho toda a impressão de que o interesse dele é o carro e eu serei morta de desovada. Me inclino para falar com ele. Ele é um rapaz mesmo, de uns 20 anos, aloirado com ar desses do Paraná, Rio Grande do Sul.
Não lembro direito o que digo pois já dou a situação por perdida. Acho que primeiro peço para ele me deixar ir embora, que não conto para ninguém, que eu não vi o rosto dele. Ele me responde algo em tom de bandido mesmo e vira o rosto para mim. Eu fecho os olhos. Mas fica claro que ele não vai me libertar. Acho que começo ou tento começar a chorar, estou sem saber o que fazer, e nisso vejo que ele, enquanto dirige, ao mesmo tempo está criando uma embalagem numa coisa horizontal que tem ali, como se fosse um ipad, mas ele desenha com lápis.
Depois recapitulando, o que me chama a atenção enquanto símbolo é que ele cria o design de uma embalagem, justamente o que fiz no meu TGI, enquanto achava que queria ser designer, mas meu interesse por embalagens era autêntico. Eu adorava aquilo e o TGI foi a única coisa que fiz na faculdade que eu gostava.
Minha vida, aliás, pensando bem, tinha sido uma sucessão de coisas às quais tinha sido imposto que eu me dedicasse, porisso quando entrei na FAU, entre outros motivos eu não dava conta de ir na faculdade, pois não aguentava mais, não aguentava mais essa situação de me ver obrigada a me dedicar a coisas que eu não gostava e que não significavam a mínima para mim. Quando chegou o TGI eu pensei: agora vou finalmente fazer algo que gosto e não quero nem saber.
Fiz um TGI tão fora dos moldes que me orientador me abandonou, eu fui em frente sem orientador mesmo e tirei uma ótima nota na apresentação. Uma das primeiras coisas na vida que fiz das quais me orgulho de ter feito. Não a nota. Isso de fazer o que eu queria.
Bem. No que vejo o rapaz se dedicando a isso, penso sim interesseiramente que isso pode me ajudar. Começo a elogiar o trabalho dele, coisa aliás, que sim, é sincera pois estou achando muito bom, ele montou um lay out com delicados desenhos a lápis com ar de embalagem antiga, estou até impressionada com o talento real dele, pelo jeito ele é bandido tipo 9 to 5 job, e quer mesmo ser designer, mas estaria mentindo se dissesse que não estou tentando usar aquilo para salvar a minha vida.
Acho que estou esquecendo mais segmentos desse sonho.
Mas então.
Estou numa sala de aula. Não tem contexto nenhum, aliás, não é correto dizer que é sala de aula. Seria uma sala de uma escola mas essa tem ar de faculdade. Mas não uma sala de aula. Uma sala ali meio pequena até. Todo mundo está sendo hostil e até mesmo ameaçador comigo. Sinto medo. Então entra uma menina que…
Pode ser sim que eu esteja lembrando errado, pois somente agora isso me veio. Mas parece a Leele Sobieski. Se não era exatamente ela, era uma garota muito parecida, de uns 20 anos, com longos cabelos daquele loiro que é mais para o dourado que para o palha, só que não era um cabelo ondulado, e sim mais para o liso, mas não liso lambido, liso encorpado.
Essa menina começa a ser gentil comigo.
Eu, que estou mesmo me sentindo muito ameaçada, quase como no carro com o raptor, começo a ser simpática no intuito de tentar ter uma amiga ali pelo menos.
Eu naturalmente sou simpática, mas aqui nessa situação, a motivação era segurança mesmo. Mesmo que a situação em si não representasse nenhum perigo real para miml, eu sentia como se fosse.
Ela está com uns lay outs grandes, em folhas de cartolina e… assim como os trabalhos do bandido, são belos lay outs e também são coisas de embalagem.
Eu me ponho a elogiar, mas elogiaria de qualquer jeito, mesmo que não me sentisse ameaçada. Ali nessa pequena sala tinha uma outra garota que estava sendo bem agressiva comigo, e no que a Leele entra, eu vou passando a ignorar a agressiva e tentar ser amiga da Leele.
Bem, na vida real estou tendo que lidar muito com isso de pessoas sendo agressivas comigo e isso é difícil para mim.
Mas eu vou falando com a Leele, e ela, apesar de legal comigo, não está bem.
Nota-se. Tem o ar meio fechado de quem está com problemas, eu elogio o trabalho dela, mas sinto que bate e volta, como se ela estivesse com outra impressão a respeito deles e não valorizasse a minha opinião, e numa espécie de reação, ela se vira para um espelho que tem ali, pega uma tesoura e começa a cortar os cabelos.
É cena clássica de filme, quando a personagem está numa fase de levar muito contra da vida, e está se sentindo por baixo, ir na frente do espelho e cortar o cabelo. Como se fosse uma auto mutilação, como se ela no fundo concordasse com a carha negativa que está recebendo, pois para quê cortar o cabelo?
Tipo, ela começa a se odiar também.
No que a Leele corta a primeira mecha, eu digo, e isso quase que rompe com a minha prioridade de ficar amiga dela para ter uma amiga ali:
–Mas porquê está fazendo isso? Your hair is gorgeous.
Não sei porquê falo em inglês. Acho que a palavra gorgeous não tem similar em português, acho que porisso.
Estou sendo sincera e quase esqueci das minhas preocupações pessoais.
Mas Leele continua com o rosto fechado, e mesmo me escutando, segue cortando seu belo cabelo.