QUAL PERCEPÇÃO ESTÁ CERTA?

1
3min de leitura

{12 de outubro de 2025}

É um ambiente de restaurante, que lembra mais aquele lugar em que eu cantei uma vez quando fazia aula com o Lyba. Estou acho que ao pé de um pequeno palco, não sobre o palco, no mesmo nível do frequentadores do lugar, no lado direito dessa extensão. Ao meu lado esquerdo há a banda. Não. Ao meu lado esquerdo tem um bando de gente que teria a ver com essa apresentação musical, mas quem está tocando mesmo, que não fica colocado se seria uma pessoa somente ou uma banda, estaria do outro lado da sala, depois desse ajuntamento de gente. O lugar já está cheio de pessoas sentadas na mesa do restaurante, mas num primeiro momento eu estou ensaiando, sob orientação de uma figura feminina que lembra eu e que está junto com a pessoa que está tocando, lá do lado direito da sala. Eu estou cantando "You take my breath away", do Queen. Não estou nem um pouco nervosa. Sei a letra, sei a música, canto de forma homogênea, sem altos e baixos de performance. A única dificuldade é que a pessoa que está tocando está meio longe, é muito difícil escutar e eu conto mais com a sorte para estar sincronizada do que outra coisa. Penso comigo que é melhor aproveitar bem esse ensaio, pois logo estaria me apresentando de fato. E logo essa cena de ensaio se funde com eu já me apresentando. Continuo muito muito estável, e essa é a palavra, estável. A minha frente, a receptividade do público é mediana, mas não sinto isso como algo em meu detrimento. Estou cantando bem. Claro que não como o Freddie Mercury, mas bem. Acho que tem na cena umas luzinhas tipo globo de espelhos de danceteria. Então acontece assim: eu sinto meu chakra do coração se abrir e isso atrai mais atenção do público. Nada de extremo, mas eu vejo a diferença. Quando cantei no restaurante da apresentação do Lyba, aconteceu uma coisa parecida. Eu comecei cantando meio tensa, mas no meio da música consegui me controlar e senti o chakra da garganta abrir e tinha um japonês sentado numa das mesas da frente que estava bem distraído e quando o meu chakra abriu, ele imediatamente se tornou atento. A voz carrega vibrações. Faz super sentido. Não que minha voz tenha mudado muito, mas ela passou a carregar as vibrações do quinto chakra. No sonho, era o chakra do coração. Eu já estava contente com meu desempenho e depois disso fico mais contente ainda, mesmo não sendo uma apresentação apoteótica.

A música termina com o "I love you". Estou torcendo para não ter dessincronizado muito, mas o que tenho impressão é que a pessoa tocando procurou me acompanhar, o que é o certo mesmo. Então a apresentação encerra e nesse ponto se configura o ponto do sonho. Pois minha mãe se aproxima e sem que eu tenha perguntado nada, despeja uma descrição crítica completamente diferente de tudo como eu estava achando. Segundo ela, eu tinha várias falhas na minha capacidade de cantar, que era bastante precária, sendo essa era a causa da falta de um maior entusiasmo da platéia. Apesar desse comportamento ser totalmente típico da minha mãe e eu ter experimentado isso em todas as atividades, desde desenho, atuação, dança, roteiro, algo quase ridículo, pois ela sempre veio exatamente como no sonho, sem que eu tivesse perguntado nada, já despejando uma crítica sobre o que eu havia acabado de fazer, dizendo algo que poderia ser resumido como: foi meio mais ou menos.

Mas apesar disso não é raiva o que sinto, mesmo que agora escrevendo e lembrando, seja. O que sinto é uma autêntica e pura confusão.

– Mas qual percepção está certa? penso comigo. A minha ou a dela?

IMAGE CREDITS DUANE MICHALS | VOGUE FRANCE 1999

QUAL PERCEPÇÃO ESTÁ CERTA?

Comentar
Facebook
WhatsApp
LinkedIn
Twitter
Copiar URL