A MULHER QUE NÃO É MULHER

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12 Novembro 2003

Eu estava numa casa de campo muito gostosa, cheia de verde, cercada por um lindo bosque. Estava meio triste, desmazelada e cansada, mas até que estava bem porque estava cuidando de mim. Tinha arrumado um quartinho super aconchegante só meu nos fundos da casa. Essa casa estava cheia de pessoas mais felizes do que eu e de certa forma eu tinha um pouco de inveja delas. Mas eram pessoas que eu gostava. Fiquei andando de lá para cá. O João estava com muita curiosidade de assistir o filme “ O Exorcista”, que ele nunca tinha visto. Tenho verdadeiro horror desse filme, que me abalou profundamente e assim que soube que ele ia assistir, pensei: vou ficar longe dessa TV ( ele ia assistir em vídeo) que não quero ver nem nada daquilo. E fui para fora da casa. Me deu vontade de ir no banheiro e eu acabei indo em um vaso sanitário que tinha ao ar livre, na varanda da casa. Quando estava lá, pensei: porque estou fazendo isso, ir no banheiro assim, sem privacidade nenhuma? Eu tenho um banheiro só meu lá no meu quarto, por que não fui lá ao invés de vir aqui? Mas ninguém me viu graças a deus. Entrei de novo na casa e tinha um casal de namorados bem jovens, de uns 20 anos, sentados abraçados no sofá. A garota olhou para mim e me disse: – Olha, cuidado com a mulher que não é mulher! Ela estava se referindo a menina possuída pelo demônio do filme que o João estava vendo, querendo dizer que ela não era uma mulher humana, era uma monstra. Eu redobrei meu cuidado para não olhar para a TV nem de relance. Quando o filme terminou o João veio me dizer, meio fazendo graça mas assustado: – Nossa, é tenebroso! Notei como as costas dele estavam retraídas e curvadas de medo. Mas o que ficou na minha cabeça foi essa frase: "Cuidado com a mulher que não é mulher."

A MULHER QUE NÃO É MULHER

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