{12 de janeiro de 2026}
Eu ainda inacreditável sequer formular mentalmente o pensamento de que estou conseguindo autonomia em algumas questões, de tanto que até o subsolo do mei ser eu me sinto uma serva, sem autonomia para coisa nenhuma. E esse sonho nada a ver com nada disso. Da onde vem isso? Era uma dinâmica complexa de mais de um nível. No nivel principal eu tinha uma gravação para o dia seguinte, e numa simbologia atenuada da simbologia de eu no próprio dia da gravação tendo que resolver tudo do zero, dessa vez tudo estaria und 70% preparado, mas faltam coisas tipo o figurino do Luciano e, tem uma hora no meio do sonho eu me lembro, esqueci de ver uma atriz para uma determinada participação especial. Essa situação está concorrendo com outra, que mesmo ficando em segundo plano, me mobiliza muito. Divido um quarto com a Virginia minha prima e parece que mais outra garota e nessa noite, nessa mesma noite, haverá uma festa na qual quero muito ir. Festa de dançar, não de ficar conversando.
Além disso esse local todo está situado num cenário que lembra uma USP rural, um cenário aliás mega recorrente e tem uns bosques nos quais eu gosto de passear. A situação da gravação domina o sonho mas logo se desdobra em outra, que por sua vez passa a dominar. O que parece que ocorre, e disso não tenho certeza, é que um certo rapaz que nem tima forma dá em cima de mim e eu o rejeito. Tem alguma coisa nessa abordagem que torna essa rejeição muito correta. E então estou com o L. acho que contando isso e ele estava atrás de mim e momentaneamente me abraça, em parte para me dar apoio por causa do lance da rejeição, que tinha algo como que de um assédio. Só que ele não me solta mais. Ficamos ali conversando meio casualmente mas só o tempo daquele abraço já configura um movimento romântico. Então ele começa a cheirar o meu pescoço. Bom, a essa altura eu já estou avaliando a situação. Apesar de estar deixando aquilo rolar muito porquê estava precisando de apoio e carinho, não quero namorar com ele. Depois de cheirar muito meu pescoço e cabelo, ele começa a limpar a garganta e formular alguns começos de frase e vejo que ele se prepara para dizer algo sério. Só acrescentando, tinha sido antes disso que wu, andando apressada de lá para cá, me dou conta de que me deixei distrair e faltam detalhes cruciais para a gravação do dia seguinte. Mobilizo meu cérebro para resolver tudo em 5 minutos.
- Luciano, digo a ele, que está na outra sala, separa o seu figurino de amanhã. Aauela calça jeans (e nesse momento me vem a calça jeans do Alcides), uma camiseta...
É nesse instante queme dou conta que tinha esquecido de ver uma atriz para determinad participação especial. Isso é prioridade.
-Luciano, esquecemos de ver uma atriz para a ...
É nesse momento que se configura o abraço, não ficou colocado exatamente como, ou eu esqueci.
Mas ali então me abraçando e já tendo se expressado através daqueles cheiros no meu cangote, L. começa a dizer que ele vem se declarando e eu venho me fazendo de desentendida.
Tem um tom ressentido, mas não muito. Minha cabeça já se põe a repassar nossas interações, em busca de algum momento em que ele possa ter demostrado algo. Não me vem nenhum. Mas não descarto a possibilidade de simplesmente não ter percebido, mas o que me preocupa nesse momento é que a coisa está se organizando como um pedido de namoro que eu, por pura passividade, estou aceitando.
Nem saberia dizer porquê nao interrompo aquilo, o que seria o correto, uma vez nem medmo do abraço, por mais que wu gostasse de receber apoio, eu estava curtindo. O mais preciso seria dizer que não consigo me mobilizar para fazer nada a respeito por não conseguir acrescentar maaaaais uma coisa a grande quantidade de coisas que já tinha para lidar. A gravação. As coisas que faltavam, entre elas uma atriz. A festa com a Virgínia, que era daqui a pouco e nem banho eu tinha tomado.
-Mas eu tenho que dizer algo, eu pensi. Mais um pouco vou ter que namorar com ele por obrigação.
No que estou nesse conflito, entra o A. Senta-se ao nosso lado e me vendo ali embolada com o L., naturalmente entende isso como algo em andamento entre nós. E suspirando, diz bem assim:
-Vamos ter um relacionamento a três?
Felizmente isso consegue me tirar da espécie de transe de inércia no qual estava.
- Não! digo. Não quero.
Não sou bruta. Mas isso encerra essa situação e estou então correndo ao quarto onde moro com a Virgínia para o que eu de fato quetia: ir na festa.
Chegando lá ela está dormindo. Tem algo muito algo nisso dela estar dormindo. Eu venho tendo de novo tensão para dormir desde dia 23 dezembro e só agora estou harmonizando. Do lado de fora do quartoum homem me diz:
- Ela está dormindo.
Tem algo nisso. Entro pé ante pé para não fazer o menor ruído e ela não desperta. Tem algo com uma mala, wu me abaixo frente a uma mala aberta, acho que procurando minha saia de lantejoula azul, que nunca usei e me vem na cabeça que o Luciano, que irá a essa festa, iria usar uma saia, na verdade um cinto, de lantejoula azul idêntico.
- Vamos parecer um par de vasos mas não me importo. Vou usar minha saia.
Nesse momento a Virginia acorda. Senta-se na cama e fala comigo. Tem o ar meio bravo como se eu tivesse feito algo errado, não me ocorre o quê. Pergunto quanto tempo tenho até ela sair de carro para a festa, pois eu queria ir com ela. Ela ainda brava responde algo que me tranquiliza, dá tempo
- Então me espera que vou com você. Vou tomar banho e me arrumo rapidinho, digo.
- A fulana está tomando banho.
Era a terceira moradora ali do nosso quarto. Não importa, penso comigo. Nem que tenha que me arrumar em 5 minutos, vou nessa festa e nessa festa vou fazer o que quero, que é dançar.
E um último pensamento fecha o sonho. Sei que danço bem. Todos vão ficar supresos, inclusive o L. Esse pensamento não vem como vaidade e mais sim como somente através da dança eu mostrasse quem sou de verdade.